Autor: Emerson de Moraes

O aspecto decorativo de um aquário plantado, depende principalmente da variedade e da disposição das plantas, ponto que ainda me foge, e caso que indico que procurem conversar com pessoas que entendam mais, como é o caso de vários outros usuários aqui do fórum que são feras na “formação de um plantado” descente hehehe.

As pessoas não podem ficar insensíveis (mesmo as que não gostam do hobby) perante um exuberante aquário plantado como os normalmente chamados “holandeses”. Mais rapidamente quando pesquisam os preços de algumas mudas perguntam: “Mais quanto custa para encher um aquário deste tamanho com tantas plantas ?”.

Lógico que se formos montar um aquário logo de inicio com todas essas plantas custaria uma boa soma de dinheiro (mesmo tendo várias com baixo valor, e de fácil acesso), mais como sabemos, o principio de um aquário plantado é a camada fértil, e camada fértil + plantas = plantas crescendo e se multiplicando. Sendo assim, se pegarmos um muda de rotala, ao final de alguns meses teremos um aquário cheio delas. É claro que se tivermos a oportunidade de comprar mais mudas teremos um aquário cheio de plantas mais rápido, e nesse caso especifico, “apressado não vai comer cru” hehehehe. Ou seja, as plantas bem conservadas não tardam a desenvolver-se e é pela multiplicação destas, inicialmente introduzidas no aquário, que vamos aumentando a sua vegetação até chegar ao ponto desejado.

Agora sem mais “rodeios”, vamos ao que interessa.

Os vegetais apresentam dois tipos de reprodução, uma sexuada em que órgãos especiais formam produtos reprodutivos masculinos e femininos de cuja união resulta um novo vegetal e outra chamada assexuada. A reprodução assexuada ocorre através de fragmentação vegetativa, conhecida normalmente como por estaca, estolhos etc.
A reprodução assexuada é a mais fácil de se obter e por isso é a que mais contribui para a multiplicação das plantas no aquário.
A reprodução sexuada , apesar de estar ao alcance de qualquer aquariofilista que possua os conhecimentos básicos da biologia vegetal, é contudo mais morosa e necessita de condições especiais, tornando-a portanto menos rentável em termos de multiplicação das plantas no aquário. Muitos aquaristas são no entanto tentados pelo interesse de observar a reprodução sexuada de suas plantas.

Vou seguir os exemplos retirados de um livro que tenho aqui, que exemplifica as formas de reprodução desde as algas até as plantas ditas superiores (Espermatófitas).

Reprodução Sexuada da Caulerpa prolifera

A Caulerpa prolifera é uma alga verde formada por um talo que apresenta formações de aspecto semelhante a folhas, caule e raiz das plantas superiores.
Em determinada época do ano, aparecem sobre a superfície das “folhas” e “caule” pequenas expansões papilosas (saliências) onde se formam os gametas masculinos e femininos. Estes são liberados na água, e deslocam-se por meio de dois filamentos (flagelos). Após a liberação dos gametas a parte fértil do talo desaparece.
Da união e um gameta masculino com um gameta feminino resulta um ovo ou zigoto que perde os flagelos. É a partir do zigoto que vai se formar uma nova Caulerpa.

A- Expansões papilosas sobre as “folhas”.
B- Gameta masculino.
C- Gameta feminino.
D- Liberação dos gametas.
E-F-G-H-I- Fases da união dos gametas e formação do zigoto.
J- Dois meses após a germinação do zigoto.

Reprodução Sexuada da Vesicularia Dubyana (Musgo de Java)

A vesicularia dubyana é aquela planta que chamamos normalmente de musgo de java.
Às vezes podemos observar nos exemplares conservados há algum tempo em aquário a aparição de folhas de cor castanha na parte superior do musgo, e alguns dizem incorretamente que é a flor do musgo.

Estas folhas acastanhadas formam uma roseta, na parte superior de algumas ramificações, e envolvem duas espécies de filamentos ou pelos. Parte destes pêlos é estéril e chamam-se paráfises. Outros têm forma dilatada e constituem os anterídios. Os anterídios contêm os anterozóides que são os gametas masculinos do musgo.

Outras ramificações terminam numa roseta de folhas verdes, normais. Também ali é possível encontrar paráfises e outros pêlos com a parte inferior dilatada formando os arquegônios. Cada arquegônio contém uma oosfera, que é um gameta feminino.

Os anterozóides, quando estão maduros, saem do anterídio e deslocam-se na água através de dois flagelos até o arquegônio.

Os arquegônios são formados por uma parte inferior dilatada, o ventre, terminando superiormente num tubo fino cheio de muco que se chama colo.

Os anterozóides penetram no colo e vão fecundar a oosfera contida no ventre dando origem a um ovo ou zigoto.

Da germinação do ovo ou zigoto não resulta diretamente um novo musgo, como se poderia pensar, mas uma formação constituída por um filamento ereto, chamado seta, com 2 ou 3 cm de altura, de cor vermelho castanho, que termina superiormente numa zona alargada, designada cápsula ou urna. A esse conjunto seta e urna dá-se o nome de esporogônio. Dentro da cápsula formam-se os esporos.

Quando os esporos estão maduros, a cápsula se abre, e libera os esporos, e se as condições forem favoráveis, cada esporo germinara e formara um novo musgo.

A- Paráfises e anterídios protegidos por uma roseta de folhas terminais castanhas.
B- Anterídio com anterozóides.
C- Arquegônio com oosfera.
D- Esporogônio.
E- Cápsula com trunfa.
F- Cápsula coberta com opérculo.
G- Dentes do perístoma.
H- Esporos.
I- Protonema, jovem musgo resultante da germinação de um esporo.

Reprodução Sexuada do Microsorium pteropus

O Microsorium pteropus, também conhecido como Feto de Java, será o nosso exemplo para as plantas do tipo Pteridófitas (Fetos).

O processo reprodutivo sexuado desta espécie só é possível de ser observado em exemplares conservados há algum tempo em cultura emersa em estufas ou paludários . Nesta forma emersa, as folhas apresentam-se profundamente recortadas, divididas em três partes arredondadas (trilobadas).

Na época da reprodução aparecem na face inferior das folhas vários corpos arredondados chamados de “soros”.

Os soros estão inseridos nas folhas em pequenas concavidades. Por baixo dos soros existem várias glândulas que segregam água de modo a manter os soros sempre úmidos, mesmo em climas secos.

Os sores inicialmente verdes, vão adquirindo uma coloração acastanhada, até que quando estão maduros ficam com uma cor castanho-escuro o que os torna bem evidentes.

Um exame detalhado dos soros, recorrendo ao auxilio de uma lupa (pode ser destas vagabundas compradas por alguns trocados, iguais ao que a gente usa para ver as artêmias (eu ao menos uso hehehe)), ou microscópio revelará que estes são formados por numerosos corpúsculos arredondados presos à folha por um pequeno pedúnculo (haste). Estes corpúsculos são os esporângios, constituídos por um saco pluricelular onde se encontram guardados os esporos. Quando os esporos começam a amadurecer, a folha vai deixando de umedecer os esporângios. Quando os esporos ficam maduros a secreção de água para, e a membrana que protegem os esporos se rompe, liberandos os esporos no solo. Na natureza com a ajuda do vento esses esporos são espalhados.

A- Os esporos libertam-se dos esporângios.
B- Protalo.
C- Anterídio guardando anterozóides.
D- Arquegônio contendo uma oosfera.
E- Jovem M. pteropus desenvolvendo-se sobre o protalo.

Se encontram condições favoráveis (umidade, temperatura, material nutritivo), os esporos germinam dando origem a um talo verde em forma de coração chamado protalo. O protalo apresenta uns filamentos , chamados rizóides, com que se fixa ao solo, e através dos quais faz a absorção dos alimentos.

Na parte inferior do protalo formam-se os órgãos reprodutores masculinos, anterídios, e os femininos, arquegônios. Os anterídios guardam os anterozóides que são flagelados, e cada arquegônio contém uma oosfera.

Quando os anterozóides estão maduros, libertam-se e deslocam-se na água, com a ajuda de seus flagelos até os arquegônios. Os arquegônios por sua vez, segregam um ácido que tem por finalidade atrai os anterozóides, até a entrada do tubo chamado colo. O anterozóide desce pelo colo e vai fecundar a oosfera. Ai desta fecundação vai resultar o ovo ou zigoto que, germinando vai dar origem a um novo feto.

Complicado né…

Reprodução Sexuada da Aponogeton crispus

A Aponogeton crispus foi a planta escolhida para a explicação do processo reprodutivo das Espermatófitas, porque as plantas pertencentes ao gênero Aponogeton são mais, digamos fáceis de reproduzir através de sementes. As Aponogeton podem florescer regularmente no aquário e a obtenção de sementes férteis é relativamente fácil.

A floração da Aponogeton crispus é bastante freqüente mesmo em exemplares recém introduzidos no aquário.

Na altura da reprodução, desenvolve-se um pedúnculo (haste floral) a partir do centro da planta com aproximadamente o mesmo diâmetro do pecíolo das folhas. O crescimento da haste floral é extremamente rápido, podendo atingir os 3 ou 4 cm por dia.

A- Liberação dos esporos nos estames.
B- O pólen penetra nos carpelos e vai fecundar os óvulos.
C- Os óvulos fecundados dão origem a frutos de forma arredondada sobre a inflorescência.
D- Quando o fruto esta maduro libera as sementes, que são arrastadas pela água flutuando.
E- A semente germina dando origem a uma nova planta.

Conforme a haste floral vai se aproximando da superfície, podemos observar o desenvolvimento de um corpo cônico na sua extremidade superior. O comprimento da haste depende da altura da água. Ao chegar à superfície, desenvolve-se um caule flutuante que suporta uma extremidade mais espessa e emersa.

Esta parte emersa é a inflorescência, constituída por numerosas flores pequenas dispostas em espiga. Durante a fase inicial do desenvolvimento, a inflorescência encontra-se envolvida por uma folha verde adaptada a sua proteção chamada espata.

A inflorescência ao continuar o seu desenvolvimento acaba por romper a espata, cuja extremidade superior ainda se mantém durante algum tempo protegendo o vértice da inflorescência.

Uma inflorescência de A. crispus completamente desenvolvida pode atingir até 15 cm de altura.

As flores são pequenas com duas pétalas de 3 a 4 mm de comprimento, de cor branca a creme, e apresentam 6 estames, com anteras avermelhadas, e três ovários.

Obs.: Em outra ocasião postarei um estudo das flores.

Os grãos de pólen maduros libertam-se e, ou atingem diretamente os carpelos situados em posição inferior na mesma flor, ou são disseminados pelo vento ou por insetos polinizadores, atraídos pela cor clara das pétalas ou pelo odor das flores.

A polinização artificial praticada nos exemplares conservados em aquário será tratada mais adiante.

Os grãos de pólen aderem ao muco viscoso segregado pelo estigma dos carpelos. Descem então pelo estilete até o ovário onde vão fecundar os óvulos.

Após a fecundação, as paredes do ovário começam a aumentar de volume e passam a formar a parte exterior do fruto, contendo os óvulos fecundados que se transformam em sementes.

Com a formação do fruto, as pétalas caem mas as sépalas mantém-se geralmente até a maturação do fruto. O fruto apresenta um aspecto granuloso e, quando maduro, libera as sementes.

As sementes possuem um revestimento esponjoso que lhes permitem serem arrastadas pela água à superfície, flutuando. Mantêm-se em estado de vida suspensa, ou muito atenuada, até encontrarem as condições necessárias para a sua germinação (calor, umidade, oxigênio, etc…)

Da germinação das sementes resultam novas Aponogeton.

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