Autor: Felipe Rossini

Introdução

Neste artigo falarei sobre as piranhas e como se comportam tanto na natureza quanto em aquários, darei um destaque para aquelas que são mais conhecidas no aquarismo, as do gênero Pygocentrus e Serrasalmus.

As piranha são membros da família Characidae, uma grande família de mais de 1200 espécies, incluindo alguns peixes muito comuns no aquarismo, como os Tetras. As piranhas pertencem a uma sub-família chamada Serrasalmidae, um nome baseado no fato de que todos os membros têm uma quilha afiada que torna o nado mais rápido.

A subfamília de Serrasalmidae é dividida em gêneros distintos: Pygocentrus, Serrasalmus, Pristobrycon, Pygopristis, Catoprion, Metynnis, Colossoma e mais alguns.

As mais comuns no aquarismo são as do gênero Pygocentrus e Serrasalmus.

Membros do gênero Pygocentrus são reconhecíveis pela forma convexa da sua cabeça e maxilar inferior maciço (mandibula mais poderosa e musculosa que a maioria das espécies Serrasalmus).

Membros do gênero Serrasalmus possuem a cabeça mais concava e maxilar inferiores menos poderosos, essa regra não se aplica a todos desse grupo, as piranha pretas (Serrasalmus rhombeus) são verdadeiros predadores com mandíbulas muito poderosas).


* Fig1: Cabeça Convexa
Fig2: Cabeça Côncava

http://www.piranha-info.com

Habitat

Piranhas são peixes de água doce e habitam rios e lagos na América do Sul, mas especificamente em torno da Amazônia, Venezuela, Guiana, Suriname, Argentina e Peru.

Algumas espécies são endêmicas, como é o caso da Pygocentrus piraya, que vive exclusivamente no Rio São Francisco; e no caso da Piranha Vermelha (Pygocentrus nattereri), ocupa diversos locais, como o rio Paraguay, Parana, Xingu, Madeira, Negro e outros diversos rios espalhados pela América do Sul.

A maioria das especies de Piranhas estão em uma zona de conforto térmico que varia de 25° até 30°, e o Ph mais ideal seria entre 5.5 até 7.0, tendo pequenas varições de espécie para espécie.


* Distribuição: da esquerda pra direia: Pygocentrus cariba – Serrasalmus rhombeus – Pygocentrus nattereri – Pygocentrus piraya
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Comportamento na Natureza

Piranhas do gênero Pygocentrus vivem em grandes cardumes nos rios sul americanos.
Esta situação é impossível de imitar em cativeiro, mas mesmo em um aquário você terá uma boa noção de seu comportamento selvagem

As Pygocentrus cariba se reúnem em baixo de árvores, onde grupos de pássaros estão cuidando de suas proles. De alguma forma, elas sabem quando as aves jovens eclodem e esperam pacientemente sob as árvores para caso aves descuidadas caírem na água e elas possam devora-las.

Piranha do gênero Serrasalmus são peixes solitários (com exceção de algumas especies: Serrasalmus spilopleura, Serrasalmus maculatus en Serrasalmus geryi).
Em geral, elas não vão tolerar outros peixes em seu tanque, e são muito agressivas e territoriais, devido a esta característica muitos jovens indefesos acabam realizando mimetismo, ou seja, mudam principalmente sua coloração (parte vermelha na parte inferior do corpo) e passam a se parecer com piranhas Pygocentrus, passando a viver em cardume afim de se proteger de predadores e se alimentar de restos a custa de outras piranhas, assim ele pode crescer e passar a se defender sozinha, deixando o cardume e voltando a se comportar como uma Serrasalmus.

Outro fato interessante é que os grupo de piranha Pygocentrus vive em um estado de constante medo e desconfiança mútua, mesmo quando tudo parece calmo os animais são capazes de ferir gravemente ou até matar uns aos outros. Para sobreviver, devem sempre saber onde estão os outros e em que estados de ânimo estão, e principalmente como poderiam agir no momento seguinte. Deixar sua guarda baixa pode ser fatal, são predadores de seus próprios parentes, especialmente entre jovens e no período de seca quando os alimentos são mais limitados.

Na natureza as piranhas ficam maiores do que em aquários, a maioria varia entre 15 e 30 cm de comprimento, entretanto algumas especies como a Piranha Preta (Serrasalmus rhombeus) podem atingir cerca de 45cm de comprimento, portanto pense bem antes de adquirir uma piranha, pois elas crescem bastante.

Uma máquina feita para matar

Seus dentes são afiados e triangulares, projetados para perfuração, através de um efeito de esfaquear e depois rasgar a carne com apenas um movimento.
Seus dentes não foram feitos para mastigar a carne, e sim para rasga-la e engoli-la, caso aconteça a perde de um dente outro logo nascera em seu lugar.

Seu estilo de vida predatório é refletido pelos olhos e narinas grandes, maximizando assim o fluxo de água passado por elas, assim conseguem localizar suas presas muito bem através do cheiro. Em meio dos rios escuros da América do sul e ainda mais escuros pela vegetação, o cheiro acaba sendo sua principal forma de detectar suas presas.

A piranha vermelha é a que possui as mandíbulas mais fortes e dentes mais acentuados, na época da maré baixa grupos de até 100 indivíduos costumam atacar presas muito maiores, elas se espalham para procurar presas que quando localizada enviam sinais para outras piranhas (este é provavelmente feito acusticamente, devido a sua possuir uma audição excelente), todas no grupo se apressam para o ataque, mordem a presa rapidamente e em seguida nadam para longe para abrir caminho para as demais, por mais eficiente que seja este modo de caça ele é bastante raro, pesquisas mostraram que esse comportamento é um meio de defesa a predadores e portando não utilizado como único meio de caça, preferem caçar por perseguição ativa ou por emboscada.

Mandibula de uma Pygocentrus nattereri

Alimentação

Na natureza se alimentam de peixes, moluscos, crustáceos, insetos, aves, répteis (filhotes de sucuri), anfíbios, roedores e carcaças deixadas por animais maiores como as ariranha, e por mais carnívoras que sejam, vegetais estão incluídos em sua dieta.

Seus predadores naturais são bem variados, incluindo outras piranhas, peixes maiores, jacarés, cobras, tartarugas, aves, lontras, onças, botos e humanos

Uma fato interessante é que as Piranhas costumam se alimentar de filhotes de garça que caem de seus ninhos por descuido ou pelo fato de estarem aprendendo a voar, também se alimentam de jacarés pequenos que são muito frágeis para se defender. Quando chega o período de secas e as piranhas ficam presas em lagoas isoladas, onde definham e morrem por falta de oxigênio, quem se aproveita são justamente as garças adultas e jacarés, e este é o círculo da vida.

Itens Alimentares: Pygocentrus nattereri e Serrasalmus brandtii, no lago Viana


Composição percentual da dieta de P. nattereri (n =
150) e S. aff. brandtii (n = 99) no Lago de Viana entre abril de
1998 e fevereiro de 1999

http://www.scielo.br/pdf/aa/v35n1/v35n1a09.pdf

Variação temporal na frequência de ocorrência dos ítens alimentares – Variação da composição percentual dos diferentes ítens alimentares


Figura esquerda- Variação temporal na frequência de ocorrência dos ítens alimentares nos estômagos de S. aff. brandtii (n = 99) e
P. nattereri (n = 150) do Lago de Viana entre abril de 1998 e
fevereiro de 1999.
Figura Direita- Variação da composição percentual dos diferentes
ítens alimentares presentes no conteúdo estomacal de S. aff.
brandtii (n = 99) e P. nattereri (n = 150) por classe de tamanho.
[Classe 1 (CP # 50mm), classe 2 (51mm # CP # 70mm), classe
3 (71mm # CP # 90mm), classe 4 (91mm # CP # 110mm),
classe 5 (111mm # CP # 130mm) e classe 6 (CP > 130mm)]

http://www.scielo.br/pdf/aa/v35n1/v35n1a09.pdf

No aquário

Piranhas não são os peixes mais adequados para manter em um aquário, muito menos junto com outros peixes que cedo ou tarde serão atacados
Elas podem ficar bastante parte do tempo acuadas e são pouco sociáveis, algumas toleram outros companheiros da mesma especie, como no caso da piranha vermelha, mas outras como a Piranha Preta não toleram mais ninguém no aquário, sendo extremamente agressivas e territoriais

Necessitam de lugares onde possam se esconder, como cavernas, troncos, plantas e o que mais encontrarmos em seu ambiente natural.
Na natureza não habitam áreas muito iluminadas, portanto a regra não deve fugir em um aquário, procure deixar o aquário bastante sombrio ou até mesmo com a luz desligado boa parte do dia

Em cativeiro aceitam pedaços de peixe, carne de frango, peixes vivos, camarões, mexilhão, frutos do mar, lula, insetos, alimentos vivos, e até mesmo pequenos roedores. A aceitação por alimentos industrializados é um pouco difícil, mas se possível, de diariamente

Reprodução

Não há muito que se sabe sobre a reprodução das piranhas, são poucos os números de observação em ambiente selvagem, por este motivo quase tudo que sabemos sobre a reprodução é baseado em observações feitas em aquários, e só de algumas espécies que até agora conseguiram reproduzir em cativeiro: Pygocentrus nattereri, Serrasalmus maculatus , Serrasalmus spilopleura e, mais recentemente ( 2002) Pyocentrus cariba.

A descrição abaixo é baseada na criação de Pygocentrus nattereri, (Piranha Vermelha), espécie que tem sido criada mais extensivamente em cativeiro, mas isso também pode ser aplicado a outras espécies Pygocentrus, e talvez para outras espécies, embora com as Serrasalmus pode ser bem diferente, já que a maioria das espécies vivem só e são muito agressivas, mesmo com sua própria espécie. Suspeita-se que espécies Serrasalmus liberam um certo tipo de hormônio na água, sinalizando assim que o peixe está pronto para a desova e, assim, reduzir os níveis de agressão.

Quando um casal está pronto para a desova, eles formam um pequeno território onde qualquer peixe que se aproximar sera agressivamente expulso. O casal apresente uma coloração muito mais escura, e seu comportamento se torna mais agressivo e territorial.

Em seu território, os peixes começam a construir um ninho no fundo, eliminando todas as plantas, removendo pedras e qualquer elemento estranho
Quando o ninho está pronto, o macho tenta atrair a fêmea para dentro do ninho, aqui ela vai colocar os ovos, que serão rapidamente fertilizados pelo macho.
Após a desova, o macho protegera o ninho, e perseguira qualquer peixe que chegar muito perto do ninho. Às vezes, a fêmea será expulsa, mas ela também ajuda com o guarda do ninho

Em 2 ou 3 dias os ovos de cor laranja chocaram. Nos primeiros dias de vida o saco vitelino fornecera suprimentos para o alevino. Poucos dias depois, eles vão começar a nadar livremente (melhor momento para remove-lo do tanque)

Os alevinos apresentam coloração prata, seu corpo apresenta pequenas manchas pretas, a forma da cabeça é muito mais côncava do que a dos adultos e têm os olhos muito grandes.
Nesse período fica muito difícil diferenciar os jovens Pygocentrus das espécies Serrasalmus, porque muito têm a mesma aparência, fazendo a identificação uma tarefa difícil.

Determinar o sexo da Piranha é considerado impossível pela maioria dos especialistas, porque não há diferenças visíveis entre os sexos, o jeito mais fácil seria a observação no período de desova, a fêmea quando adulta tendem a ser mais gordas devido os ovos que carregam, no entanto, não é um método muito confiável, afinal machos bem alimentados chegam a ser tão gordos quando uma fêmea cheia de ovos

Os jovens devem ser alimentados pelo menos de 2 á 3 vezes por dia, para assim ficarem saudáveis e se desenvolver adequadamente. Os exemplares jovens crescem rapidamente, em seus primeiros meses a velocidade de crescimento pode chegar a um centímetro por mês
Em poucos meses, eles começam a desenvolver a coloração vermelha em suas nadadeiras e na barriga, os pontos pretos começam a desaparecer, e a cor prateada do seu organismo é gradualmente substituída por uma coloração mais cinza aço, que é tão característico para adultos

Atingem a maturidade sexual por volta dos 18 e 24 meses de idade, é interessante relatar que quanto mais velhos são, mais escuro sua coloração sera.
Alguns espécimes chegam a mudar sua coloração, sua barriga vermelha fica completamente escurecida, isso pode acontecer por causa da idade, por causa do stress, e às vezes para indicar que estão prontos para a desova.

Ciclo de Vida de uma Pygocentrus nattereri: Ovos > Alevino > Juvenil > Adulto

http://www.piranha-info.com

Referencias:
http://www.scielo.br/pdf/aa/v35n1/v35n1a09.pdf
http://www.aqua-fish.net/show.php?h=piranhafish
http://www.piranha-info.com/default.php?lang=en&id=page_1
http://educacao.uol.com.br/biologia/ult1698u79.jhtm
http://www.animalcorner.co.uk/rainforests/piranhafish.html
http://animaldiversity.ummz.umich.edu/site/accounts/information/Pygocentrus_nattereri.html
http://www.angelfire.com/biz/piranha038/nattereri.html
http://www.angelfire.com/biz/piranha038/pirafruit_seeds.html
http://www.extremescience.com/Piranha.htm
http://www.vincelewis.net/piranha.html

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