Autor: Milton Ohta

Após ser apresentado a esta alga e perder uma batalha, refiz o aquário, e para meu desespero, eis que elas retornaram em minha nova montagem, mas coincidentemente a um projeto de difusor de CO2 de contra fluxo acoplado ao filtro externo, que praticamente eliminava a movimentação de água, eis que elas, simplesmente regrediram e desapareceram e então iniciei uma peregrinação, para entender, pesquisar e divulgar o que tinha ocorrido e um dos primeiros que respondeu ao meu post foi o Edson Rechi, que desde então tive a curiosidade de conhecer pessoalmente, o que se concretizou em 03/05/2008 (http://www.forumaquario.com.br/phpBB2/viewtopic.php?p=281340) e agora eu passo minha experiência, até agora bem sucedida.

Posso dizer que esta alga já não me incomoda e nem assusta e a trato com tranqüilidade quando dá as caras em alguma de minhas montagens, apenas com podas e controle do fluxo de água, mas quanto mais cedo o tratamento, melhor e mais rápido é o resultado, pois após uma infestação generalizada, realmente fica muito difícil seu combate sem utilizar de outros artifícios.

Quem conhece esta praga, sabe como é difícil acabar com elas e a intenção deste artigo é de auxiliar o aquarista com uma base de conhecimentos e de tratamentos em que se reportou algum sucesso.
Primeiramente vamos conhecer nosso inimigo, as algas do gênero Rhodophyta em que estão inseridas as duas principais pragas, Audouinella, (as Petecas negras) e as Compsopogon, (tipo barba), e que possuem como características; não desenvolver células móveis em nenhuma etapa de sua vida (o que explicaria a ineficiência do filtro de ultra violeta, mas podem se alastrar por fragmentação)e se deslocam por movimentos amebóides (o que explicaria a eficiência das podas e presença na forma de focos concentrados) além de dependerem da movimentação de água para realizar as trocas gasosas com maior eficiência (o que explicaria porque morrem ou estagnam em água parada ou pouco movimentada e se desenvolvem rapidamente no fluxo de água, onde se concentram). (fonte http://curlygirl.naturlink.pt/rodofitas.htm )

Como referencia, aqui temos as 2 variedades mais comuns desta alga



Acima as Petecas propriamente ditas(fotos Wust)


Tipo Barba (foto Diogo Magliano)

Realizei alguns testes:

1- mantive um foco de petecas em uma “boneca” de espuma e areia em um aquário de 30L com 20W de iluminação e um filtro interno que circulava água, por mais de 6 meses, juntamente com outras “bonecas e plantas e conclui quem estas não se espalharam, ficando confinados a “boneca cultura”.

2- Inseri 1ml/L de H2O2 10 volumes, e conclui que esta não tem a capacidade de eliminar esta alga, limitando a avermelhar a mesma e diminuir seu tamanho, portanto, somente as atingidas diretamente com a ajuda de uma seringa, com o fluxo de água interrompido, morriam.

3- Fiz um teste em um aqua de 60L, utilizando uma samambaia de Java infectado, aspergindo H2O2 diretamente sobre o foco, sendo este foco eliminado, se desmanchando e soltando das folhas da planta, mas conclui que na realidade, nem toda esta alga que se desprendeu da planta, morreu, ou seja, acabaram por aparecer em outro ponto, agora fixado ao carpete de eleocharis mínima, em outras samambaias de Java e nas folhas mais velhas das tenellus e com podas regulares e controle do fluxo de água, praticamente sumiram do aquario.

4- Após mais de 6 meses e mantido com 0,6 W/L, filtrado por plantas maiores e com boa circulação de água, as algas petecas não apresentaram desenvolvimento expressivo, mas quando aumentei a iluminação para 1W/L, em questão de dias, estas dobraram seu desenvolvimento, indicando que estas adoram luz, conforme as fotos



Conclusões:

1- pelo que observei, elas realmente não se espalham por esporos, portanto podem ser erradicadas com podas.

2- a utilização de água oxigenada ou raspagem, pode ajudar a espalhar o foco.

3- Estas necessitam da movimentação de água para se desenvolver, veja aqui um exemplohttp://www.forumaquario.com.br/phpBB2/viewtopic.php?t=34451&highlight=peteca+moss

Pode-se fazer a limitação do fluxo de água em filtros Hang On utilizando um pedaço de garrafa PET vincado, sendo que o vinco se apóia no vidro abaixo da saída de água e a parte maior direciona o fluxo na superfície, mas também pode-se fazer uso de uma criadeira com alguns furos e posicionada sob a saída do filtro.

4- A luz tem função importante no seu desenvolvimento, mas não consegue-se acabar com elas com um apagão de 3 dias, mas pode ser um auxiliar.

5- TPAs constantes, não surtem efeito expressivo na sua erradicação, mas são importantes, visto que estas se beneficiam de fosfato e ferro dissolvidos na coluna de água.

6- A aplicação de Flourish Excel, que na realidade não é um algicida, mas sim, uma fonte de carbono que substitui a injeção de CO2 em plantados tem se mostrado eficiente, na proporção de 2 a 3 vezes quando em conjunto com injeção de CO2 e de 3 a 5 vezes em aquários não plantados, num tratamento que pode se estender por 10 dias, mas muitas vezes estas algas retornam após o tratamento.

7- A aplicação de algicidas a base de cobre, pode ser uma boa alternativa, mas este método é evitado por muitos, devido ao risco a biologia do aquário e é um produto acumulativo em que se deve seguir, rigorosamente as recomendações e a dosagem sugerida pelo fabricante, pois seus efeitos colaterais poderão ser desastrosos.

8- Aplicação de altas doses de CO2, acima de 30 ppm até a extinção da alga, podem ser realizados, mas exigiria um controle rigoroso a fim de evitar a morte dos habitantes por intoxicação, a acidose propriamente dita.

Com este artigo, espero auxiliar os colegas aquaristas que tanto penam tentando erradicar esta alga, do que teria de ser seu hobby e não seu pesadelo.

Possui experiencia com o tema desta pagina ? Deixe seu comentario, podera ajudar outros aquaristas: