Autor: David J Neves

HISTÓRIA

Em 1995, os grandes fabricantes da Europa, buscando o desenvolvimento de tecnologia eficiente, com menor consumo de energia elétrica, apresentaram a lâmpada fluorescente tubular T5, uma lâmpada para ser sucessora da lâmpada fluorescente tubular T8.

Com o início da produção comercial das lâmpadas T5, muitas áreas de uso coletivo em países desenvolvidos, onde a economia de energia é cada vez mais importante, como Shopping Centers, migraram para essas lâmpadas. A lâmpada T5 passou a representar a tecnologia mais eficiente disponível no mercado, isso com respeito às lâmpadas de descarga de baixa pressão.

As grandes empresas do setor perceberam que essa tecnologia poderia ser muito útil em algumas áreas específicas, e aí pesquisaram e lançaram alguns modelos específicos para determinadas áreas, como a aquariofilia. Como a produção destes modelos específicos ainda é pequena, o preço é elevado.

O significado do “T” de T5 vem de tubular (tubular lamps), e o “5” é a espessura da lâmpada, que é de 5/8 polegadas (cinco oitavos de polegada) ou 15,9 mm de diâmetro. Como comparação, as lâmpadas T8 têm 25,4 mm de espessura.

COMO FUNCIONAM ?

É comum ouvirmos falar que lâmpadas T5 são trifósforo. Sim, as T5 HE e HO são trifósforo, porém essa tecnologia trifósforo já existe desde a década de 70, não é exclusivo de lâmpadas T5. Existem lâmpadas T8 trifósforo também. Nessa tecnologia o que muda, basicamente, é que existe um pó de fósforo responsável por cada cor primária de fonte de luz (vermelho, verde e azul), ao contrário das antigas fluorescentes que tinham um único pó de fósforo responsável por toda as cores. Com essa tecnologia trifósforo, foi possível obter temperaturas de cor mais elevadas, melhor contraste, vida útil mais longa para as lâmpadas, 10% mais luz se comparadas às lâmpadas que não usam essa tecnologia e cores mais próximas como as coisas são vistas à luz dia, devido ao aumento do IRC (índice de reprodução de cores), entre outras coisas.

A modificação mais importante do funcionamento da lâmpada T5, com relação as suas antecessoras, é quanto à temperatura que essas lâmpadas trabalham. Uma modificação interessante, pois a máxima iluminação que ocorre nas T5 se dá em média a 35º, já nas T8, por exemplo, acontece em média a 25º. Isso foi conseguido graças a uma mudança de local do ponto mais frio encontrado no interior da lâmpada (cold spot). Com essa inovação, de melhor desempenho em temperaturas elevadas, as lâmpadas T5 conseguem um melhor aproveitamento do fluxo luminoso, mesmo em luminárias fechadas e com pouca ventilação, muito usadas em fábricas e indústrias por exemplo. Só para exemplificar, uma lâmpada T8 perde em torno de 10% de luminância a 35º. A depreciação do fluxo luminoso, conforme a temperatura aumenta, também é menor na tubular T5 em relação às T8.

Com o uso dessa tecnologia do ponto mais frio da lâmpada em local diferente, foi possível ultrapassar a barreira de 100 lumens por watt em uma lâmpada tubular fluorescente, ou seja, essa é a maior vantagem da lâmpada T5: eficiência luminosa com pouco gasto energético. Em uma lâmpada T8, em comparação, chega-se aproximadamente aos 90 lumens por watt, e com maior consumo energético.

TIPOS DE LÂMPADAS

Comercialmente já são encontradas as lâmpadas T5 de diferentes tamanhos. As mais comuns são do tipo HE (High Efficiency) com potências de 14, 21, 28 e 35 W, e do tipo T5 HO (High Output) apresentando potências de 24, 39, 54 e 80 W.

Segue tabela comparativa*:

Lâmpadas HE

Lâmpadas HO

* Nesta tabela encontram-se somente os modelos comerciais mais comuns para comparação. Algumas empresas lançaram e continuam lançando lâmpadas T5 HO em diferentes tamanhos para suprir algumas necessidades específicas. Para aquariofilia, por exemplo, já existem lâmpadas T5 HO de 54 watts de diferentes tamanho de comprimento, como também lâmpadas T5 HO de 28, 35 e 45 watts. Essas lâmpadas de tamanho diferente têm custo ainda maior, devido à quantidade produzida ser ainda pequena.

As lâmpadas T5HO diferem das lâmpadas T5HE por apresentarem uma maior densidade de fluxo luminoso por unidade de área. Enquanto, por exemplo, uma lâmpada HE de 21 W gera em média um fluxo luminoso de 2.100 lm e possui 849 mm de comprimento, uma lâmpada HO de 24 W apresenta um fluxo luminoso médio semelhante (2.000 lm), porém com 549 mm de comprimento (35% menor). A finalidade desta diferença no tamanho das lâmpadas para wattagem parecida é para ajustar o fluxo luminoso para cada caso/ambiente. No caso da HE pode-se distribuir o fluxo luminoso de maneira uniforme com pouco gasto energético, por exemplo, em supermercados, shopping centers, fábricas. Já a HO serve para ambientes que precisam de bastante fluxo luminoso com distribuição de luz em espaço reduzido, como por exemplo, laboratórios, alguns locais específicos em indústrias, aquariofilia.

DIMENSÕES

Seguem as dimensões das lâmpadas fluorescentes T5, de acordo com a norma internacional IEC 60081 (A IEC 60081 que define as características físicas e de operação das lâmpadas fluorescentes tubulares)*:


* Dimensões somente dos modelos comerciais comuns.

REATORES

As lâmpadas T5 foram desenvolvidas especialmente para operar com reatores eletrônicos. A maioria dos reatores eletrônicos possui correção de fator de potência, que controla a intensidade luminosa, preservando assim a vida útil da lâmpada. Os antigos reatores eletromagnéticos, que não podem ser usados nas lâmpadas T5, têm diversas desvantagens aos atuais reatores eletrônicos, como perdas excessivas (que resulta em mais consumo energético), mais peso, maior tamanho, apresentam baixo fator de potência, entre outros.

Não só para lâmpadas fluorescentes T5, mas também para outros sistemas de iluminação, os reatores eletromagnéticos já são considerados ultrapassados, pelo fato de serem menos eficientes.

VIDA ÚTIL

A depreciação do fluxo luminoso é bem menor nas lâmpadas T5 do que nas antecessoras T8 e T12. Testes de fabricantes mostram que a T5 consegue manter o fluxo luminoso em torno de 95% após 8000 horas de uso, e que o tempo de vida útil é em torno de 18.000 a 20.000 horas. Vida útil é definida como o tempo em horas, no qual até 25% do fluxo luminoso das lâmpadas testadas foi depreciado.

Alguns modelos de lâmpadas T5HO para uso específico podem variar os valores de vida útil, de acordo com cada modelo e fabricante.

REFLETORES

Em todo o projeto de iluminação, os refletores têm papel fundamental. Para lâmpadas fluorescentes, o refletor não é apenas uma opção, e sim parte do projeto. Com a possibilidade de lâmpadas mais finas, houve um melhor aproveitamento do fluxo luminoso com o uso de refletores. No exemplo abaixo, retirado do Guia de Iluminação Phillips, mostra a diferença de aproveitamento do fluxo luminoso para um refletor parecido, mas para diferentes espessuras de lâmpadas:

USO NA AQUARIOFILIA

Na aquariofilia, as lâmpadas T5 já são muito usadas em alguns países. Muitas pessoas utilizam as T5 em aquários que precisam de muita luz em espaço reduzido, com boa distribuição de luz, pouco aquecimento do ambiente e baixo consumo energético. Lembrando que a lâmpada T5 HO (high output) é a mais indicada para o uso na aquariofilia.

Em aquários que precisam de boa iluminação (como aquários plantados) com altura de 60cm de coluna d´água, por exemplo, já é possível manter saudável um aquário só com lâmpadas T5, mas cada tanque vai requerer uma quantidade e tipo de iluminação adequada, então é necessário analisar cada caso para verificar se é possível e viável a utilização de lâmpadas T5, devido ao tamanho do aquário, altura da coluna d´água, custo de montagem e performance do sistema em comparação a outras tecnologias, como o sistema de lâmpadas compactas, HQI e Leds por exemplo. Sem dúvida a tecnologia de lâmpadas T5 está sendo muito útil a muitas montagens de iluminação para aquários e muitos estão desfrutando desta tecnologia. Vale à pena pensar e avaliar então se compensa ou não partir para essa tecnologia, de acordo com a necessidade, o bolso e o gosto de cada um.

RESUMO COM OS PRINCIPAIS PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

PRINCIPAIS PONTOS POSITIVOS:
-Consumo elétrico menor.
Com a mesmo consumo (watts consumidos), é possível mais luz com as T5 em relação às antecessoras T8 ou T12.

-Impacto ambiental reduzido.
Para produzir a lâmpada T5 é necessário menos materiais de embalagem e vidro na fabricação, além da reduzida quantidade de mercúrio no interior das lâmpadas e maior vida útil.

-Tamanho reduzido da lâmpada
É possível bastante luz em espaços reduzidos.

-Vida útil maior
Até 95% do fluxo luminoso após 8000 horas de uso.

-Melhor desempenho
mais lumens gerados por watt consumido.

PRINCIPAIS PONTOS NEGATIVOS:

-Preço
O preço das lâmpadas T5 ainda é elevado, se comparados às demais lâmpadas fluorescentes T8 e T12. Com a migração natural das tubulares T8 para T5, há a tendência natural de diminuição nos preços.

-Dificuldade em encontrar as lâmpadas T5, os reatores e também refletores.
Aos poucos a tecnologia T5 está chegando ao consumidor doméstico.

-Poucos tamanhos disponíveis.
É comum encontrar as lâmpadas T5 em poucos tamanhos. Para alguns tamanhos específicos de lâmpadas T5HO, o preço ainda é muito elevado.

A pesquisa foi feita com as seguintes referências:

SITES:
http://www.lrc.rpi.edu/
http://www.gelighting.com
http://www.lighting.philips.com
http://www.jbl.de/dl_documents/uk/uk_WWW7.pdf
http://www.hagen.com/uk/aquatic/glo/index.cfm
http://www.arcadia-uk.info/
http://www.osram.com
http://www.osram.com.br
http://www.philips.com.br/
http://www.arcadia-brasil.com.br/

Dissertações:

Juliano Bedin.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Reatores eletrônicos dimerizáveis para lâmpadas fluorescentes com elevado fator de potência.
Florianópolis, 2008 (Mestrado)

Bruno Scortegagna Dupczak.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Reator eletrônico para lâmpadas fluorescentes alimentado em corrente contínua.
Florianópolis, 2008 (Mestrado)

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