Autor: Rafael Compassi

Estou aqui para discutir sobre fertilização, Estimative Index, luz, CO2, plantas e algas!

(Antes de ler, recomendo que leia o artigo “a relação entre a luz e o CO2, assim, não se sentirá muito perdido).

Muito bem, considerando o que estava exposto nesse artigo “A relação entre a luz e o CO2”, mais precisamente o que ensina Justus Liebig.
O que comparamos? São dois grupos distintos: plantas submersas e algas.

Sabemos (leia o artigo O Índice Estimativo de Tom Barr) que adicionar uma quantidade X de fertilizantes (qualquer um que você escolher), para que a planta esteja recebendo entre 90 e 100% da quantidade máxima utilizável, adicionar mais não vai resultar em um maior crescimento. Exemplo rápido: digamos que uma planta necessite de 10ppm de NO3 para crescer sem limitação de nitrogênio. Se houver 20ppm ou 50ppm de NO3 não fará a planta crescer mais rápido do que se tivesse com somente 10ppm.

Teria que fazer algo para aumentar a quantidade máxima utilizável pela planta, e daí sim aumentar esse nível.
Isso também é verdadeiro para as algas, não somente para as plantas!

Considere o gráfico abaixo:

Se adicionar qualquer coisa além do ponto C, não vai aumentar o crescimento das algas, não não pode e a lei de Liebig prevê isso para todas as plantas, algas e autótrofos.

Então, que diferença faria para uma Cladophora, que tem o seu ponto de rendimento máximo em 0,01ppm de CO2, 0,001ppm de PO4 e 0,01ppm de NO3?
Podemos limitar as algas e prover nutrientes para o rendimento máximo das plantas?

Não, obviamente que não!

Então o que ocorre quando alguém para de adicionar fertilizantes ou adiciona bem pouco e vê melhoras?

Novamente, o alemão Liebig vem ao socorro! A lei de Liebig prevê uma mudança de digamos limitação causada por baixo CO2 (que as plantas sentem mais) para um PO4 mais limitante (que as plantas sentem, mas menos do que uma falta relativa de CO2).

Essa mudança de um nutriente limitante para outro não influencia em nada a demanda das algas, explica porque essa observação é verdadeira, e também para muitos, porque adicionar muitos nutrientes em conjunto com um bom CO2 também tem bons resultados.

O CO2 é traiçoeiro, muitos assumem que não, e isso é um grande problema! A luz também é traiçoeira, mas tem uma solução muito mais fácil do que o CO2.
O CO2 pode parecer estar alto, devido aos peixes respirando na superfície, ou apáticos, mas isso pode não ser causado somente pelo CO2. Ele pode até não estar baixo (em torno de 15ppm), mas a oxigenação estar baixa!

Uma oxigenação pobre (devido à circulação deficiente e sem movimentação superficial) afeta muito mais do que CO2 alto. Um aquário pode tranquilamente ter 30 a 40 ppm de CO2 dissolvido na água, se e somente se, a oxigenação for muito boa, com uma boa movimentação de água e troca gasosa. Por boa movimentação no aquário entenda-se como correnteza difusa, em que todas as folhas das plantas tem uma leve movimentação e nunca ficam estáticas, e existe movimentação superficial em boa quantidade. A superfície de um aquário que parece um espelho não tem movimentação suficiente, ela precisa ondular suavemente, pois isso ajuda enormemente na oxigenação – e em contrapartida a quantidade máxima de CO2 que se poderá dissolver sem apresentar efeitos tóxicos. Com uma boa movimentação superficial, um pouco do CO2 se perderá, mas para compensar isso, basta aumentar um pouco a quantidade de bolhas por segundo, pois é muito mais fácil dissolver mais CO2 do que o O2, e quanto mais O2, mais CO2 poderá ser dissolvido na água sem causar efeitos tóxicos para a fauna.

Então, siga a lei de Liebig, ela é muito boa em prever os resultados.

Tudo o que se precisa saber são os pontos de compensação para as algas, para as plantas e o range C, do gráfico acima.

Dado que o ponto de compensação das algas é muito mais baixo, o range tóxico (o D no gráfico) para elas é bem menor do que para as plantas. Por isso algas como a GSA precisam de muito poucos PPM de PO4 para crescer e se reproduzir.

Outras espécies também se dão bem em níveis mais elevados de nutrientes ou de CO2, mas não quando as plantas estão lá, crescendo, fazendo sombra sobre elas, crescendo sobre elas. Mas se você colocar uma rocha lá, as algas irão lentamente colonizar.

Se você fosse uma alga como a GSA, encrustante, não seria bom crescer em ambientes realmente ricos, crescer somente onde tenha um bom fornecimento de CO2, porque você ficaria coberto com outras espécies de algas, que te bloqueariam a luz e usariam todos os nutrientes.

Se você fosse uma alga de crescimento rápido, digaos uma Spirogyra (filamentosa), você precisaria de luz forte, CO2 (menos que as plantas, variável, etc) e bons nutrientes.

Seria necessário também alguns esporos para começar.

Cada alga precisa de certas condições para seu nicho ecológico.

Apenas se certifique de aplicar a lei de Liebig para as algas, e não somente para as plantas, e ela irá explicar porque adicionar mais fertilizantes não vai causar algas, ou aumentar o risco de algas.

Então, a pergunta fica: qual limitação é a pior?

Limitar o PO4 ou o CO2?

Diria que a limitação do CO2 é bem pior. As plantas tem maneiras de lidar com a limitação de fosfato.

O problema verdadeiro aqui, é que a maioria dos sistemas (e dos aquários) tem problemas, mas que não querem ser tratados, por achar que estão bons. Um aquário com a água parada…. como as plantas irão receber os nutrientes, e o CO2, e os peixes e as bactérias, como receberão o oxigênio?

Lembrem-se, as bactérias que consomem a amônia precisam de muito oxigênio! Cerca de 3 mg de O2 para cada mg de amônia oxidada para nitrito. E sem a movimentação de água, como essa amônia vai chegar nas bactérias para ser oxidada, antes que as algas a aproveite? As bactérias não vão até a amônia, pois elas vivem em biofilmes aderidos na superfície de objetos sólidos (seja vidro, cascalho, cerâmica, etc), a amônia e o oxigênio precisam ir até as bactérias, por isso a importância de uma circulação boa no aquário é dupla!

Água e fertilizantes são baratos, e se você os limita, está também limitando a luz (e se você for ver, a conta de luz é MUITO mais alta do que a da água, na maioria da casas). Porque desperdiçar luz? Uma planta, se está limitada por nutrientes ou CO2 não vai crescer mais rápido com uma quantidade enorme de luz. As alga sim, já que você estará aumentando o ponto de compensação delas, e aumentando o range tóxico (parte D do gráfico acima).

A redução da luz é de longe o melhor método de reduzir e controlar a velocidade de crescimento, já que é o parâmetro mais estável do aquário, e é aonde todo o crescimento começa, incluindo o das algas. Diminuindo a luz, diminui a demanda por CO2, e reduz o stress nos peixes devido a CO2 muito alto, e menos nutrientes serão necessários.

Nem sempre mais é melhor, e no caso da luz, não poderia ser mais verdade! Um aquário de luz muito forte com baixos nutrientes (e sem algas) é um mito, as plantas não utilizam essa luz toda, pois estão severamente limitadas devido aos poucos nutrientes. Agora, adivinhe quem não está limitado por nutrientes com uma luz tão forte? Se já sabe a resposta, parabéns, mas se ainda não conseguiu adivinhar, leia o artigo desde o começo, prestando mais atenção.

As pessoas não respeitam o CO2, elas são impacientes (socorro, meu aquário faz 10 dias que está ciclando e ainda tem amônia…), elas temem os nutrientes, mas não temem ou entendem o CO2. Elas pensam que mais é melhor em relação à luz, mas todos os nutrientes como nitratos, fosfatos, ferro são maus e cálcio e potássio são “bons”.

Esses são problemas sociais, não problemas aquarísticos, são idéias de décadas (anos 70 e 80) passadas, baseadas em empirismo, não em fatos. No meu aquário tenho todos os nutrientes “bons” e “maus” em grandes quantidades! Em contrapartida, minha luz é baixa! Algas? Não conheço, muito obrigado, senhores.

Independentemente se eu escolhi um método de dosagem como o Estimative Index, ou algum outro que limite o PO4, os resultados são melhores e mais estáveis, mais fáceis de se manter, não importando qual método, se menos luz for usada. Isso resolve muitos problemas, pois então se terá mais espaço para erros, não importando qual método escolha, a manutenção será mais fácil.

O CO2 e a luz: o funcionamento de uma planta.

A luz atinge o cloroplasto, e isso produz algumas coisas. Isso produz ATP (a energia, força química) e NADPH (energia redutora), alguns H+ e oxigênio, pela quebra da molécula da água.

O ATP e o NADPH são usados no ciclo de Calvin para reduzir o CO2 em açucares (que como você conhece, quando você come açúcar, você queima ela e libera energia para você e CO2).

Então, se você adicionou um montão de luz… isso vai esculhambar com o ATP/NADPH nos cloroplastos e reduzir a eficiência da planta. É como parar o carro no sinal vermelho e ficar pisando no acelerador sem ir a lugar algum.

Então, se adicionarmos apenas uma quantidade pequena (ou moderada) de luz para produzir uma pequena quantidade de ATP/NADPH, então assim que eles forem produzidos, o ciclo de Calvin terá o CO2 aguardando, então toda a luz é usada eficientemente.

As plantas conseguem modificar suas enzimas, como fabricar mais das que capturam o CO2 e melhorar a eficiência da captura do gás (no caso de aquas sem injeção de CO2), ou pode fabricar mais complexos capturadores de luz se a planta estiver limitada em relação a luz. Isso demora de 1 a 4 semanas para a planta se adaptar totalmente. Elas conseguem realocar recursos dependendo das condições ambientais.

Mas as plantas não conseguem correr ou fugir, elas ficam ali paradinhas no lugar delas e tem que encarar a situação (na verdade, plantas aquáticas verdadeiras podem se autofragmentar e flutuar para longe, na esperança de encontrar condições melhores, o mesmo acontece com muitas das algas).
A luz é extremamente estável em aquários, ela não tende a variar tanto (a não ser que o aquário pegue luz solar direta), mas o CO2 não! Ele pode variar a concentração rapidamente, e é o assassino nº1 de peixes em aquários plantados, se mal dimensionado, principalmente se isso estiver aliado a uma má circulação.

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