Autor: Edson Rechi – Janeiro/2005

Introdução:

Em todo e qualquer tipo de aquário sempre haverá algas, seja um tanque plantado, marinho, comunitário ou mesmo de ciclídeos africanos. Basicamente existem as algas “boas”, que nada mais é um indicativo da boa qualidade da água e que são controladas por peixes consumidores de algas ou mesmo através da remoção manual, durante a rotina de manutenção.

Há ainda algas consideradas “más”, que indicam má qualidade da água por algum motivo ou determinado tipo de alga que infestou o tanque arruinando sua estética. Mas, nem todas as algas no aquário são más, uma pequena quantidade é inevitável, onde há água, luz e nutrientes. O controle ou a prevenção primeiramente é o ponto chave para controlá-las.

Este artigo não visa definir os tipos de algas e os motivos de seu surgimento, e sim uma pequena introdução sobre os famosos peixes comedores de algas, que bem ou mal, ajudam no controle destas pragas.

Aplica-se muito a estes peixes, como verdadeiros milagres que fazem na manutenção de tanques afetados por algas, eliminando-as. Esta aplicação em parte, é incorreta. Não fazem milagres! Apenas ajudam no controle, algumas vezes eficazmente, outras nem tanto.
Nem tanto devido a diversos fatores englobados, como alimentação em pastilhas próprias para estes peixes, onde se consumida regularmente, fará com que o peixe perca a sina por algas e acabe apenas se alimentando somente de rações, deixando para segundo plano, sua real função que foi destinado. Estas rações deverão ser fornecidas periodicamente, mas se quer mesmo que o algueiro faça seu serviço, não forneça sempre.

Muita observação no decorrer do tempo fará com que dose adequadamente e regularmente o fornecimento, para evitar que o peixe não emagreça ou venha a falecer por falta de alimentos ou mesmo deixe de fazer seu serviço. Na natureza, se encontra em abundância algas e todos tipos de alimentos, a intenção aqui é ao menos tentar se igualar nesta diversidade, já que em tanques muito bem cuidados, algas não são e nunca serão bem vindas, mas o criador insiste em manter peixes algueiros, neste caso, fornecimento de verduras e legumes serão bem vindos como fonte alimentar, lembrando que verduras e legumes tendem a “putrificar” no tanque, comprometendo a qualidade da água, portanto, retire em no máximo 24h.

Uma dica é fornecê-las ao apagar as luzes (já que parte de peixes algueiros tem hábitos noturnos) e retirar na manhã seguinte.

Um fator muito comum de ocorrer é na instalação de um novo aquário, o tanque ficar infestado de algas, antes mesmo das plantas terem chance de se desenvolverem e igualar o consumo dos nutrientes. Comum devido a alterações químicas que ocorrem na água e o sistema biológico não estar eficazmente estabelecido, portanto, não pense em inserir peixes algueiros para tal controle, em vista que muitas das espécies não suportam muitas alterações nos parâmetros fisioquímicos da água. Neste ponto é altamente recomendada a introdução plantas de crescimento rápido, para consumir os nutrientes e competir com as temidas algas.

Partindo de um principio, onde temos um tanque equilibrado e que comumente surgem algas, podemos ter uma boa concepção do uso destes peixes, como forma de ajudar no combate as algas, através do eficaz controle atribuído a eles.

Espécies, efinições e exigências:

Cascudo / Plecos

Foto: ?

Nome Popular: Cascudo / Plecos *
Nome Científico: Ancistrus sp. / Hypostomus sp.
Família: Loricariidae
Origem: América do Sul
Sociabilidade: Sozinho
Comportamento: Pacífico
pH: 6.4 a 7.0
Temperatura: 27ºC
Tamanho Adulto: Variável de acordo com a espécie *
Tamanho Mínimo do Aquário: Variável de acordo com a espécie *
Definição: Em geral comem algas marrons e verdes; interessante incluir em sua dieta alimentos frescos como Pepino/Batata/Ervilha; dependendo da espécie, poderá crescer muito e desenraizar plantas.
* “Plecos” nada mais é que, peixes que possuem sua boca em forma de ventosa, existindo centenas de espécies. Em geral é sempre ideal possuir um tronco no tanque, para satisfazer sua necessidade por celulose.

Comedor de algas chinês (CAE)

Foto: Azgerdens.com (CAE var. gold)

Nome Popular: Comedor de Algas Chinês – CAE
Nome Científico: Gyrinocheilus aymonieri
Família: Gyrinocheilidae
Origem: Sudeste Asiático
Sociabilidade: Sozinho
Comportamento: Pacífico/Territorial
pH: 6.6 a 7.4
Temperatura: 27ºC
Tamanho Adulto: 25cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 200L
Definição: Ótimo comedor de algas em geral, podendo ser menos inclinado a comer algas depois de velho; pode-se tornar agressivo quando atinge a maturidade sexual e costuma não tolerar a presença de outro CAE no mesmo espaço; peixe muito ativo; poderá vir atacar muco de outros peixes se a alimentação for precária.

Comedor de algas siamês (SAE)

Foto: akwafoto.pl (SAE)

Nome Popular: Comedor de Algas Siamês – SAE
Nome Científico: Crossocheilus siamensis
Família: Cyprinidae
Origem: Sudeste Asiático
Sociabilidade: Sozinho ou grupo
Comportamento: Pacífico/Territorial
pH: 6.6 a 7.4
Temperatura: 27ºC
Tamanho Adulto: 15cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 150L
Definição: Considerado um dos melhores comedores de algas, entre elas filamentosas, marrons e verdes; confundido freqüentemente com outros comedores de algas** (** ver abaixo a distinção correta).

** Características que diferem o SAE dos demais Algae Eaters:

O SAE (Crossocheilus siamensis) é quase branco em sua tonalidade e é dividido por uma linha negra desde sua boca até o final da cauda, sendo o mais similar peixe a ele o Crossocheilus obonglus, onde este último a linha negra não ultrapassa a nadadeira caudal. Outro similar é o Flying Fox (Epalzeorhynchos kalopterus), que possui a mesma linha negra onde esta é acompanhada por outra amarela. Já os Comedores de algas Chineses é fácil a distinção, já que este possui sua boca em forma de ventosa.

Labeo bicolor

Foto: ?

Nome Popular: Labeo Bicolor
Nome Científico: Epalzeorhynchus bicolor
Família: Cyprinidae
Origem: Tailândia
Sociabilidade: Sozinho
Comportamento: Territorial
pH: 6,4 a 7,2
Temperatura: 27º
Tamanho Adulto: 15cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 200L
Definição: Peixe de personalidade forte; costumam ser territorialistas com outros peixes e não tolerar outro exemplar no mesmo tanque; é um regular comedor de algas que geralmente ficam espalhadas pelas plantas/troncos e vidros; outras variedades de Labeos, como os populares Frenatus, Negro, Albino desempenham igualmente mesma função.

Flying Fox

Foto: ?

Nome Popular: Comedor Algas Flying Fox / Raposa Voadora
Nome Científico: Epalzeorhynchus kallopterus
Família: Cyprinidae
Origem: Sudeste Asiático
Sociabilidade: Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 6.6 a 7.2
Temperatura: 27º
Tamanho Adulto: 13cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 150L
Definição: Bom comedor de algas em geral, é um peixe muito ativo; ao contrário dos CAE e SAE, costumam ser mais tolerantes com a presença de outros exemplares da mesma espécie.

Limpa-vidro / Otto

Foto: Tuuli Koskinen

Nome Popular: Limpa-vidro / Otto
Nome Científico: Otocinclus sp.
Família: Loricariidae
Origem: Sudeste do Brasil
Sociabilidade: Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 6.4 a 6.8
Temperatura: 28º
Tamanho Adulto: 4cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 40L
Definição: Regular comedor de algas, principalmente marrons e verdes; são peixes ideais, para diversos tipos de tanques, devido a grande maioria das variedades terem tamanho reduzido; sua climatização inicial poderá ser difícil, opte por um pequeno cardume e insira-os de uma só vez usando base de 1 exemplar para cada 20L. Citações indicam que alguns são ávidos comedores de muco, mas infelizmente, não existe uma forma de distinguir Ottos atacantes dos normais, requer muita observação. Muitos atribuem que são peixes frágeis erroneamente, isto se deve a abusos na captura, entre outros fatores, uma dica é esperar os últimos exemplares nas baterias das lojas, estes serão mais resistentes.

Molinésia

Foto: ? – Black Molly

Nome Popular: Molinésia / Molly
Nome Científico: Poecilia latipinna
Família: Poeciliidae
Origem: América do Norte e México
Sociabilidade: Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 7,2 a 7,8
Temperatura: 27º
Tamanho Adulto: 10cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 100L
Definição: São bons comedores de algas assim como Guppyes devido sua dieta ser herbívora, apesar de nem sempre mencionarem; comumente ficam “beliscando” as plantas comendo algas, mas sem danificá-las; peixe muito usado inicialmente a ciclagem do aquário (incorretamente) no combate a algas e são ávidas consumidoras, desde que não as alimente-as inicialmente, mas muito cuidado para não deixa-las morrer de fome, observação é o ponto chave.

Peixe galho

Foto: ?

Nome Popular: Peixe galho
Nome Científico: Farlowella sp.
Família: Loricariidae
Origem: Bacia Amazônica
Sociabilidade: Sozinho
Comportamento: Pacífico
pH: 6.6 a 6.8
Temperatura: 27º
Tamanho Adulto: 15cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 200L
Definição: Ótimo comedor de algas, principalmente verdes; sua dieta deverá ser complementada com pepinos, abobrinhas e ervilha; sensíveis a qualidade da água; especificamente a Farlowella gracilis ficará muito grande para aquários plantados, danificando as plantas, demais espécies não crescem tanto.

Comedor de Algas Imperial

Foto: Ingo Seidel

Nome Popular: Comedor de Algas Imperial
Nome Científico: Crossocheilus latius
Família: Cyprinidae
Origem: Sudeste Asiático
Sociabilidade: Sozinho ou Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 7.6 a 8.3
Temperatura: 27º
Tamanho Adulto: 10cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 100L
Definição: Considerado um dos melhores comedores de algas existente; ideal para tanques de Ciclídeos Africanos; peixe difícil de ser mantido e muito exigente, não indicado para principiantes.

Borboleta mexicana

Foto: Kjell Nilsson

Nome Popular: Borboleta Mexicana / Butterfly splitfin
Nome Científico: Ameca Splendens
Família: Goodeidae
Origem: México
Sociabilidade: Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 6.5 a 7.5
Temperatura: 25º
Tamanho Adulto: 8cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 100L
Definição: Regular comedor de algas em geral; peixe muito robusto; se adapta facilmente a diversas variações de água.

Jordanela Florida

Foto: plantedtank.net

Nome Popular: Jordanela Florida
Nome Científico: Jordanella floridae
Família: Cyprinodontidae
Origem: América Central
Sociabilidade: Casal ou Trio
Comportamento: Pacífico
pH: 7.2 a 7.6
Temperatura: 23º
Tamanho Adulto: 5cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 60L
Definição: Apesar de poucos definirem como peixes algueiros, dão uma bela ajuda no combate de algas em geral; costumam beliscar algumas plantas; apesar de se adaptarem facilmente em pH ácido, não irão mostrar todas suas cores neste pH.

Ampulária / Pomácea / Aruá

Foto: aquapage.cz

Nome Popular: Ampulária / Pomácea / Aruá
Nome Científico: Pomacea bridgesi
Família: Ampullariidae
Origem: América do Sul
Sociabilidade: Sozinho ou Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 6.8 a 7.2
Temperatura: 26º
Tamanho Adulto: 15cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 100L
Definição: Existem inúmeros gêneros, entre o mais comum no Brasil, a Pomacea; a Pomacea bridgesi é um dos poucos que podem ser mantidos em tanques plantados sem causar grandes danos; bons algueiros, comem além das algas, folhas mortas, restos de alimentos e peixes mortos; entre outras Pomaceas conhecidas, estão as Pomacea canaliculata e Pomacea paludosa, estas duas havidas devoradas de plantas.

Neritina Zebra

Foto: ?

Nome Popular: Neritina Zebra
Nome Científico: Neritina natalensis
Família: Neritinidae
Origem: África do Sul
Sociabilidade: Sozinho ou Grupo
Comportamento: Pacífico
pH: 7.2 a 7.6
Temperatura: 25º
Tamanho Adulto: 2cm
Tamanho Mínimo do Aquário: 40L
Definição: Regulares comedores de algas, entre outras fontes de alimentação; vantagem de serem minúsculos e regulares algueiros, apesar de aceitarem submersão em tanques de pH ácido, com o tempo tende a ocorrer danificações em sua concha a médio/longo prazo se mantido nesta faixa de pH.

Camarões em geral:

Foto: Chris Luchaup – Camarão Takashi Amano

Alguns camarões são bons algueiros, como o Caridina japonica (Camarão Takashi Amano), Camarões Abelhas, Neocaridina “Red Crystal” e Macrobachium lar. . Estes garotos trabalham decentemente entre rochas e plantas alimentando-se eficazmente de restos de rações e mesmo algas como as filamentosas (cabelo) e verdes. Deve-se ter muito controle sobre a qualidade da água, pois geralmente são sensíveis e evitar colocar com peixes maiores, já que poderá virar sobremesa. São pequenos grandes comedores de algas e temperaturas elevadas e excesso de Fe na água poderá levá-los a morte. Preferem pH levemente ácido (exemplares citados acima), temperatura amena (+ ou – 25º).

Conclusões finais:

Todo aquário poderá surgir algas, sejam elas no vidro, enfeites, plantas, substrato, etc. Os peixes e invertebrados citados neste artigo, podem ser adicionados ao tanque, para um bom controle, mas sempre lembrando que somente limpam partes de algas espalhadas pelo tanque e o melhor a se fazer é controlá-las através da prevenção, aliado a ajuda destes. Estude muito bem o comportamento e exigência da futura espécie que pretende adquirir, para evitar desilusões, e claro, identifique a alga que afeta em seu tanque e tome atitudes no sentido de controlá-las de certa forma (leia bons artigos sobre algas). Portanto, não vá comprar determinado algueiro, pensando que ele será a solução definitiva para seus problemas perante as algas.

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