Autor: Alexandre Avari


Piraíba - Fonte: Mauricio Antunes

Os índios das nações Tupi eram grandes guerreiros, canoístas habilidosos, conheciam até mesmo o mar, viajando grandes distâncias em suas canoas leves, fortes e ágeis!

Mas estavam sempre em guerra com as outras etnias indígenas, aos quais chamavam, todas, de Tapúia.

Os Tapúia eram de diversas etnias, mas todos tinham em comum o fato de serem grandes feiticeiros e caçadores habilidosos, mas não pescavam como os Tupi!

Por seu porte menor, as tribos Tapuia tinham receio dos terríveis perigos das águas, como as Yaras, míticas sereias, os Botos, malandros, as perigosas Sucuris, Piranhas carniceiras e, sobretudo, as Piraíbas!

Sim, pos as Piraíbas (Pira = Peixe + Hyba = Mau) atacavam sorrateiramente, o índio simplesmente desaparecia sob a ação do bote da terrível fera das águas! Sobretudos as crianças!

A Piraíba, que conhecemos como Brachyplatystoma filamentosum, com seus mais de 2 metros de comprimentos, é o maior Peixe-gato americano. Uma fera, realmente!

Dentre os peixes mais modernos, temos os da ordem dos Perciformes, onde se encontram famílias velhas conhecidas dos aquaristas, como Cichlidae, Chaetodontidae, Serranidae… A segunda maior ordem de peixes modernos é a dos Siluriformes, onde temos muitas outras famílias também conhecidas, mas muitas vezes confinadas aos cantos mais escuros das lojas e de nossos aquários.

Esta grande ordem é muito extensa e apresenta muitas famílias que nos são muito familiares como Siluridae, Pimelodidae, Hipostomidae, calichtidae… Estes são os chamados Peixes-gato, por motivos óbvios, já que todos os peixes desta ordem apresentam filamentos sensíveis na região da sua boca, como as barbelas de um gato, o número de barbelas varia de 24 pares do Asprendinichtys tibicen(uma das espécie dos popularmente conhecidos como Banjo) a um único par dos peixes do gênero Ageniosus sp (popularmente conhecidos como palmitos) ou os cascudos.

COMO SÃO OS PEIXES-GATO

Suliriformes não tem escamas. As espécies de couro são as mais características, algumas espécies apresentam algumas placas ósseas distribuídas estrategicamente nos flancos do peixe como elemento de defesa, outras, apresentam o corpo completamente coberto por placas, inclusive o ventre, nesses casos o peixe não possui todo o característico muco que recobre a maioria dos peixes, tornando-os muito resistentes a ataques, porém extremamente sensíveis à presença do sal NaCl na água, que pode causar severa “desidratação” de seus organismo, o que cria um grande desbalanceio osmótico em seus organismos, matando-os rapidamente!!

Assim como os ciprinídeos (barbos e lábeos) e os cobitídeos (botias, kulis e dojôs), os peixes-gato possuem um chamado aparato de Weber que é uma modificação em sua quarta vértebra conectando a bexiga natatória com o ouvido interno, o que lhes dá grande noção espacial e precisão na localização das mais sutis vibrações na água em relação a si próprios.

As características barbelas podem ser classificadas conforme a posição na cabeça do peixe, podendo ser nasais quando posicionadas acima da boca, maxilares, quando localizadas ao lado da boca, e estas são as maiores e mais fortes barbelas, algumas vezes possuem até uma estrutura óssea para auxiliar sua sustentação, ou maxilares, situadas abaixo da boca.

As barbelas são órgãos responsáveis pela captação de, principalmente, gosto, são órgãos de paladar recobertas de papilas gustativas, muitos peixes gato passam boa parte do tempo nadando com suas barbelas maxilares tocando o substrato em busca de uma oportuna refeição

AS ESPÉCIES

São tantas e tantas espécies interessantes para nosso hobby que poderiam ser escritas páginas e páginas a respeito, entretanto estamos falando de peixes jumbo, então vou me ater às espécies que atingem grandes tamanhos, e mesmo assim não são poucas!! Peixes-gato figuram entre os maiores peixes do planeta!

SULAMERICANOS –

Família CALLICHTHYDAE

Nesta Família encontram-se as espécies recobertas de placas ósseas como as espécies dos gêneros Aspidoras, Corydoras, Brochis, todos conhecidos popularmente por Coridoras ou Limpa-fundo, geralmente de pequeno tamanho, com algumas exessões, como a C. barbatus e B. britschii, dentre outros, que atingem 10, 12 centímetros.


Scleromystax barbatus Fonte: Edson Rechi

As espécies dos gêneros Dianemas, Hoplosternum (cascarudos) e Callichtys (tamboatás) são semelhantes às coridoras, mas bem maiores, por volta de 20cm

Família LORICARIIDAE

Esta família é tão grande e ainda tão mal estudadas que, parafraseando a nomenclatura popular, podemos dividi-la em 03 subfamílias:

Subfamília Ancistrinae

São os cascudos, ou bodós, de diversos gêneros. Muitas espécies atimgem mais de 30, 40 centímetros, algumas chegam até um metro. Entre os maiores e mais conhecidos estão os gêneros Ancistrus, Panaque, Pterogoplichtys, Parancistrus e outros.


Cascudo Abacaxi, provávelmente do gênero Hypostomus sp. Fonte: WJ

Subfamília Hypoptopomatinae

São os limpa-vidros, como o limpa-vidros do norte (gênero Hipoptopoma) ou o comum (gênero Otocinclus), que não passam dos 8cm


Otocinclus sp. Fonte: Brezolin

Subfamília Loricarniidae

São os Acaris. Temos diversos gêneros bem conhecidos, como Sturissoma (único gênero existente na América central), Farlowella, Loricaria, Rineloricaria e outros. Atingem de 20 a 30 centímetros e são exemplares muito delicados e muito exóticos.


Loricaria sp. Fonte: Edson Rechi

Família PIMELODIDAE

Nesta grande família sul-americana encontram-se representantes dos mais lendários e dos mais adversos, quanto às estruturas corporais e comportamentos. São tantos que podemos dividi-los em algumas categorias, estas não oficiais:

Mandis

Essa palavra de origem tupi designa principalmente as espécies dos gêneros Pimelodus e Pimelodela


Pimelodus gracilis Fonte: Edson Rechi

O mandi pintado é um belíssimo representante e relativamente fácil de ser encontrado nas lojas. Originário do Pantanal, têm barbelas maiores que seu próprio corpo e belíssima coloração prateada com pintas pretas.

Jaús

Os maiores representantes, como os Jaús (Paulicea luetkeni) atingem até 1,5 metros e são muito procurados para a pesca esportiva, mas existem outras espécies do gênero que atingem proporções bem mais modestas, em torno de 40cm, como o Jundiá (Rhamdia sp.).

Narizes de pá

Nesta classificação informal encontramos muitas das espécies de maior porte muito conhecidas por nossos olhos e estômagos.

Os pintados, ou cacharas, ou ainda surubins e muitos outros nomes, são peixes grandes e belos, atingem de 40cm até 1,5 metros (ou mais, segundo as línguas populares) e suas várias espécies estão distribuídas da Amazônia até a bacia do Prata, Podem apresentar faixas como um tigre (Pseudoplatystoma fasciatum), pintas (Pseudoplatystoma curruscans) ou ambas (Sorubimichtys sp).


Cachara ([i]Pseudoplatystoma fasciatum) Fonte: Brunor[/i]

Os Jurupenséns (Sorubim lima) são peixes exelentes para cativeiro. Elegantes, nadam à maia água, seja na vertical, camuflados entre a vegetação, ou na horizontal, caçando. Originários da bacia Amazônia e, principalmente, do pantanal, são excelentes peixes para mantermos em nossos aquários, pois atingem 55cm e apresentam belíssima coloração.

A Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) é um peixe sagrado para os nativos da Amazônia, de distribuição bem mais restrita que os demais primos, possui coloração preta e branca, com a cauda num forte tom de laranja, raro de ser encontrado na natureza, é dos peixes mais belos de nossa fauna.


Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) Fonte: Frog

Os peixes chamados de Palmitos são muito parecidos com os Jurupensém, são os já mencionados espécimes do gênero Ageneiosus, de mesmos hábitos, mas possuem apenas duas barbelas, às vezes bem pequenas. Atingem até 60cm e também são excelentes em cativeiro, infelizmente raramente são encontrados à venda.

Existem muitas outras espécies, infelizmente raras de serem encontradas à venda, como o Juruense (Brachyplastystoma juruensis), o cachara zebra (Merodontotus tigrinus), o Surubum prata (Hemisorubim Platyrhynchus) dentre outros.

Família DORADIDAE

São conhecidos popularmente como Reco-recos, ou armau no pantanal. Possuem uma fileira de espinhos nos flancos claramente utilizados para defesa, além de fortes espinhos também nas nadadeiras peitorais e dorsal.

Muitas espécies atingem pequenos tamanhos, como as pertencentes aos gêneros Doras, Amblidoras, Acanhtadoras, Franciscodoras dentre outros. Outras atingem um metro ou quase isso, espécies dos gêneros Pterodoras, a mais comum espécie P. granulosus, Megalodoras e Pseudoras.

O ataque é muito curioso. Os peixes seguram e travam utilizando as nadadeiras peitorais e enrolam sua cauda ao redor do corpo de seus agressores e nadam ao redor, ralando seu oponente com seus espinhos dos flancos.


PseudMegalodoras irwini
Fonte: raubwelse.de

Ao serem retirados da água fazem um peculiar ruído de ronco, não um som propriamente emitido pelo peixe, como seria um latido de cachorro ou canto de pássaros, é o estalar de seus espinhos devido a movimentação de seu corpo.

Nesta família encontramos também os simpáticos e pacíficos Banjo, dos gêneros Platystacus, Dysichtys, Aspredo e Aspredinichtys.

A espécie Aspredinichtys tibicem já mencionada é o peixe gato que apresenta o maior número de barbilhões, impressionantes 24 pares!!

NORTE-AMERICANOS –

Família ICTALURIDAE

O norte-americano Ictalurus punctatus, é conhecido por ser largamente criado para fins comerciais, vez por outra aparecem nas lojas como peixe ornamenta. É conhecido por Catfish ou bagre do canal. Exemplares albinos são facilmente encontrados à venda.


Ictalurus punctatus
Fonte: Binohendrix

As demais espécies da família dificilmente são encontradas, infelizmente, pois são bem exóticas e interessantes e em muitos aspectos lembram os exóticos peixes gato africanos, dados à variedade de nichos ecológicos ocupados por espécies da mesma família.

EUROPEUS –

Família SILURIDAE

Pouco conhecidos dos brasileiros, nossos colegas portugueses têm mais contato com estas espécies. O peixe-gato europeu (Silurus glanis) é um monstrengo que atinge até 3,5 metros e pesa até 300kg!

Como muitos dos peixes-gato, é pacato como uma bomba-relógio… fica quieto em sua toca até que um dia resolve fazer um pequeno massacre de seus companheiros desavisados, ou o contrário, pode ser totalmente desarmado e aparecer ferido ou pior depois de uma noite de aventuras!!

É um peixe de extrema “inteligência” e forte “personalidade”. Espécimes adultos são conhecidos por suas lendárias fugas dos anzóis de pescadores, retratadas em verso, prosa, no cinema e na TV.

AFRICANOS –

Família MOCHOCIDAE

Nesta grande família encontramos as mais diversas adaptações aos mais diversos nichos ecológicos que na América do sul são preenchidos por diversas famílias. Existem peixes de fundo, de meia água, compridos como enguias e atarracados como coridoras. Entretanto pouca desta imensa variedade é encontrada nas lojas de todo mundo, sendo as espécies mais comuns as pertencentes ao gêneroSynodontis.


Synodontis nigriventris
Fonte: Aquazoo.co.uk

Muitas espécies são pequenas, mas existes exemplares maiores, como o S. notatus, prateado com algumas grandes pintas pretas, que atinge até 30cm. A espécie mais popular, o peixe gato invertido S. nigriventris, além de seu peculiar modo de nadas de cabeça para baixo, atinge até 20cm.

Raramente encontrado, mas belíssimo, o peixe gato girafa (Aucehnoglanis occidentalis) apresenta formato e coloração muito exóticos e, como a maioria das espécies da família. é muito pacífico.

AFRICANOS E ASIÁTICOS –

Família SCHILBRIDAE

Nesta família encontramos grandes peixes gato nadadores de meias águas, de grande importância como alimento às populações ribeirinhas africanas e asiáticas, muito conhecidos também por aquaristas de todo o mundo pelas espécies do gênero Pangasius.

A espécie mais conhecida e o P. sutchii, que atinge até um metro e tem crescimento rápido, mas é muito pacífico.


Pangasius sutchi
Fonte: aquariumhome.ru

Outro representante muito conhecido da família é o peixe gato de vidro (Kriptopterus bicirrhis), que atinge apenas 12cm no máximo, em contraste ao seu primo Kriptopterus criptopterus (sim, primeiro com K, depois com C!) muito parecido, que atinge 45cm.

Família CLARIDAE

Aqui encontramos os tão em moda peixes do gênero Clarias. Fascinantes, eles respiram ar atmosféricos e estão presentes em muitas regiões da África e da Ásia.

Estudos comprovam a presença de toxinas nos espinhos das nadadeiras peitorais e dorsal de pelo menos uma espécie, asiática, Heteropneustes fossilis. Nas demais espécies não há nada conclusivo, mas é fato que ferimentos causados por estes estabanados peixes doem muito mais que seria normal dada a pouca gravidade da maioria das injúrias.


Clarias batrachus albina
Fonte: dkimages.com

O amplamente difundido Claris batrachus é a espécie mais comum, hoje encontram-se albinos, pintados e os comuns cinza com grande facilidade.

COSMOPOLITAS –

Família ARIIDAE

Os brages arídeos são mais conhecidos por seus representantes marinhos em todos os mares do planeta, extremamente comuns nas praias brasileiros, seus corpos são facilmente encontrados por toda orla após fortes chuvas. O Jordani (Hexanematichthys seemanni), ou bagre tubarão, é o representante mais comumente visto à venda em lojas.


Hexanematichthys seemanni
Fonte: drpez.org

São peixes extremamente delicados, mas muito belos. Geralmente chegam esgotados às lojas, muito debilitados. Um Jordani saudável no aquário, bem alimentado e feliz é um espetáculo à parte, é o centro das atenções, fora sua inteligência fora do normal e sua formidável afeição ao seu dono!

Não é de briga, mas não é nada bobo e sabe se defender. Eu particularmente nunca consegui o manter por mais de um ano, talvez não suporte a falta de sal na água conforme vão amadurecendo. Sei que vivem bem mais, mais de 10 anos. Atingem até 80cm, mas seu crescimento é muito lento. Jovens apreciam cardumes, adultos são solitários e bem mais pacatos, mas ainda assim espetaculares.

COMPRANDO PEIXES GATO

Não é difícil decidir-se a ter um peixe gato em seu aquário, pois são peixes fascinantes e atendem a todos os gostos, desde os mais bonitinhos até os mais estranhos. Difícil mesmo é encontrar bons exemplares à venda.

Em algum lugar na história do aquarismo alguém difundiu a lenda de que peixes gatos são peixes muito resistentes. Na verdade dão peixes muito sensíveis, mas muito valentes, que suportam às duras penas da coleta e transporte, mas muitas vezes não conseguem recuperar de tanto stress e desnutrição.

O ideal seria comprar exemplares criados em cativeiro, que já estão mais habituados ao manuseio e não passaram por tantas agruras, só que a maioria das espécies mais exóticas não se reproduzem em aquário. Logo mais veremos um pouco sobre a reprodução destes peixes que é uma caixinha de surpresas, muito difícil de ser obtida.

Em todo caso, o ideal é observar o peixe alguns dias, senão semanas, para então leva-lo para casa. Essa prática é muito mal vista pelos lojistas.

Peixes gato são peixes que demoram muito para adaptarem-se ao aquário, o que você vê nas lojas é uma parcela ínfima de todo o potencial e beleza destes peixes, que dificulta muito mais sua escolha.

Peça para alimenta-los na sua frente, escolha quem já come alguma coisa. Evite exemplares magros demais. São peixes muito fortes e musculosos, com poucas reservas, por isso um peixe com a barriga cheia de comida mostra seu potencial de recuperação, mas ossos aparentes na cauda entre os músculos mostram debilitação tal que o peixe, já com reservas esgotadas, está consumindo nutrientes de seus músculos, deste quadro raramente há reversão.

Loricarídeos sobretudo. Não conheço nenhuma loja, nem as mais famosas e reconhecidas, que realmente alimente seus cascudos, limpa-vidros e acaris de forma adequada (rodelas de abobrinha, pepino, batata doce e outras verduras). Não tenho conhecimento da existência de rações especificas para estes peixes no mercado. Conto nos dedos as vezes que vi cascudos realmente saudáveis em lojas.

Tenha muito cuidado na compra destes peixes. O risco de perdê-los nos primeiros dias é muito grande. Não basta estarem bonitos e com as nadadeiras inteiras e abertas, repare em suas barrigas se estão salientes ou ao menos planas, evite exemplares com a barriga côncava. Dê forte preferência aos exemplares mais jovens, que tem mais chance e disposição de se recuperarem, mas não muito jovens, que não tenham reservas suficientes para suportar a coleta e o transporte.

ENFIM, EM CASA!

Os aspectos envolvendo as dimensões, decoração e companheiros de aquário para grandes peixes gato variam conforme a espécie, mas podemos dar alguns parâmetros básicos para evitar alguns sustos:

Dimensões

Não é só o tamanho do exemplar adulto que direciona o tamanho mínimo de seus aquários. Um grande cascudo de seus um metro pouco se movimenta, mas dá suas voltinhas sobretudo à noite. UmPangasius de um metro não para quieto um minuto sequer e precisa de muito espaço!

Para os realmente grandes, algo como 2x1x1 metros seria um mínimo para as espécies gigantes, talvez até pouco. Peixes gato podem crescer meio que de acordo com o ambiente, mas mesmo menores que em seus habitats, ficam grandes. Exemplares jovens em aquários pequenos tendem a adquirir terríveis deformações em sua coluna vertebral.

Para quem não possui espaço suficiente para um grande pintado, existem opções, como Sorubim lima, que atinge até 60cm, na prática em cativeiro raramente passam dos 45cm, ou espécies ainda menores, como mandis ou Synodontis.

Não acredite em histórias de que “peixes grandes podem viver em aquários pequenos, pois quanto menor o aquário, menos cresce o peixe, como um bonsai ou uma criança criada em apartamento”. Juro que dei muita risada ao ler esse tipo de coisa em publicações respeitáveis.

O que torna uma pessoa pequena não é o tamanho do ambiente, mas pré disposição genética e sua alimentação e suas atividades físicas. Se não fosse assim, o bairro de Moema em São Paulo, lotado de prédios, seria recheado de anões!!

A comparação com os bonsais também não se justifica. Não basta tacar uma muda de árvore num vasinho pequeno para se ter um bonsai, são anos e anos de podas controladas de folhas, galhos e raízes e condições climáticas drásticas que fazem árvores que atingiriam centenas de metros ficarem com poucas dezenas de centímetros.

Se você não tem condições de manter um grande aquário, não mantenha grandes peixes, existem muitas opções de peixes até muito exóticos que atingem tamanhos mais adequados.

Decoração

Por serem peixes de grande força muscular, a decoração do aquário deve ser robusta. Além do mais, muitos peixes gato gostam de ter sua própria toca, exclusiva. Grandes pedras e troncos são ideais. Cuidado no empilhamento de pedras, que podem desmoronar e ferir o peixe, fixe-as com cimento ou silicone.

Não crie tocas muito profundas, se não você raramente verá seu peixe, tocas rasas ou mesmo reentrâncias já são suficientes para acalmar seu instinto. Se não forem, você logo vai perceber, pois sem cerimônia vão cavar suas tocas sob algum objeto.

Não precisa desistir das plantas, muitas plantas de raízes mais profundas agüentam bem as peripécias dos peixes gato. Algumas espécies, como o Sorubim lima e o Jordani são nadadores de meia água, muito delicados em seus movimentos, não vão bagunçar.

Só tome cuidado com decorações mais “fantasiosas”. Peixes gatos geralmente não se dão bem em cascalho muito claro e com peças muito coloridas e em movimento, passando a maior parte do tempo escondido, desperdiçando toda sua beleza.

Companheiros

A compatibilidade dos peixes gatos varia muito, e muito mesmo!! Não há regra, há boas chances de acerto.

No geral, são peixes predadores extremamente ecléticos e vão comer peixes pequenos que lhe caibam na boca, a exceção mais bizarra é o Pangasius, grande e pacífico, mas não vai resistir a peixes muito pequenininhos.

Peixes “narizes de pá” costumam ter maxilares e estômagos muito elásticos, podendo se aventurar em prezas muito grandes, às vezes tão grandes que engasgam e morrem no processo, perdendo ambos os exemplares.

Synodontis, Calictídeos e Loricarídeos, mesmo grandes, também não costumam atacar. São peixes detritívoros. Os pequenos podem matar seus eventuais predadores fixando-se com seus espinhos na boca do predador. É provável que morram ambos também.

Não arrisque peixes gatos grandes com peixes pequenos por via das dúvidas.

Alguns peixes grandes podem atacar peixes gatos um dia, do nada, apenas cismam e atacam. Principalmente grandes ciclídeos e traíras.

Uma boa idéia é variar o número de habitantes pela região que habitam no aquário. Peixes gatos tendem a viver mais no fundo, por isso peixes de superfície, como aruanãs, são deixados em paz. Peixes de meia água também não são atacados pela maioria das espécies, desde que o aquário seja grande o suficiente para que todos tenham seu espaço.

ALIMENTAÇÃO

Alguns exemplares capturados na natureza demoram a aceitar ração, e como geralmente chegam em nossos aquários muito debilitados, o melhor é não força-los. Pelo menos nas primeiras semanas, recomenda-se alimenta-los com aquilo que certamente comerão: ALIMENTOS VIVOS!

Peixes gato passam o dia todo fuçando o solo em busca de comida, por isso aceitam bem minhocas e tubifex, os narizes de pá raramente resistem a peixinhos vivos, sobretudo à noite. Se o peixe não comer de dia, não se preocupe em alimenta-lo após apagar a luz, pelo menos nesse período de adaptação, depois, com o tempo, podemos alimenta-los tão logo as luzes se acendam, para condicioná-los a procurar comida quando houver luz, com o benefício extra de vê-los em ação durante todo o dia!

Peixes detritívoros como Synodontis, Clarideos, Calictídeos e Loricarídeos aceitam ração logo nos primeiros dias, se não aceitarem, tubifex é a melhor opção.

Loricarídeos são os peixes mais críticos nesse quesito. A alimentação deles deve ser iniciada assim que chegam e, mesmo que não comam nada ou deixem uma boa parte, deve-se substituir a alimentação diariamente.

Rodelas de abobrinha, pepino, abóbora e batata doce são bem aceitas, além de folhagens tenras amolecidas em água quente como espinafre e chicória (ou escarola) dentre outras. Lascas de peixes de água doce e fígado de frango também podem ser oferecidos, mas não muito, pois são espécies basicamente vegetarianas, seus organismos não estão adaptados a digeri-las bem, mas ajudam a iniciarem a alimentação.

SAÚDE

Por não possuírem escamas, e os que possuem placas não possuem muito muco, são sempre suscetíveis às doenças de pele, principalmente íctio e veludo.

Como as espécies de casca são extremamente sensíveis ao sal, não dê banhos nem adicione pedrinhas de sal grosso ao aquário, pode piorar o quadro. São sensíveis também ao mercúrio e diversas substâncias químicas, sendo o melhor tratamento feito com aumento da temperatura, alimentação reforçada e em casos extremos, medicação na metade da dosagem recomendada pelo fabricante, a não ser que haja alguma menção específica sobre peixes gato na bula do produto.

A desnutrição é realmente o maior problema, por isso, como já mencionamos, não compre peixes aparentemente desnutridos, e muito cuidado com a alimentação nas primeiras semanas.

São sensíveis também à qualidade da água, tudo devido à exposição excessiva da pele. Em águas com altas taxas de compostos hidrogenados, os peixes de couro podem produzir muito muco, as espécies com placas param de se alimentar, ambas estão sujeitas às infecções bacterianas (nadadeiras roídas) e ao ataque de seus companheiros.

Uma vez adaptados e bem nutridos, raramente adoecem.

Mas um peixe saudável e feliz pode, vez por outra, causar alguns ferimentos ao aquaristas também!! Esses ferimentos são muito comuns e geralmente nada demais. Especial atenção aos peixes do gênero Clarias, que tem espinhos bem finos e muito provavelmente recobertos de toxinas que provocam muita dor. Evite manusear qualquer peixe gato com as mãos.

Devido aos espinhos, podem se enroscar muito na trama das redinhas convencionais, prefira, se necessário captura-los, utilizar potes ou saquinhos, ou redinhas grandes, mas de malha bem fina, como as fabricadas para a Tetra.

REPRODUÇÃO DIFÍCIL, MAS POSSÍVEL!

O maior empecilho para reproduzir peixes gato em cativeiro é a dificílima diferenciação de machos e fêmeas. Além disso poucas espécies nos dão o prazer de reproduzi-las em aquários convencionais e pela simples aproximação de um par.

O dimorfismo sexual sutil pode ser percebido pelo formato do corpo, pois fêmeas geralmente são mais “largas” que os machos, alguns cascudos, sobretudo do gênero Ancistrus, possuem apêndices na cabeça que diferenciam os machos (que têm mais apêndices que as fêmeas). Entretanto, a diferença é tanta que parecem mais duas espécies diferentes, e muitas vezes são!

Loricarídeos e Calictídeos reproduzem, às vezes, por acidente em nossos aquários. Relatos lidos em fóruns internacionais falam que o fator chave para a reprodução destes peixes é a segurança. Sentindo-se seguros (sem nenhum companheiro molestando-os), com a sorte de se obter um casal, com uma toca adequada (cavernas, buracos, telhas) e oferta generosa de alimento, pode ser que reproduzam.

A reprodução da maioria dos demais peixes gato é feita através de indução hormonal, ou seja, são injetados nos peixes escolhidos como matrizes previamente sexados, hormônios extraídos da glândula hipófise de outros exemplares. Este processo é caro, requer profundos conhecimentos e treinamento biomédico e uma estrutura que possa manter a grande quantidade de larvas geradas nesta operação adequadamente.

Uma vez conseguida a desova, a manutenção dos alevinos é outro grande problema. São muito delicados e difíceis de serem alimentados.

Criadores convencionais utilizam rações específicas à base de farinha de peixe, farinha de osso e sais minerais, muito finas, quase que como uma poeira, além de infusórios.

Se seus cascudos ou coridoras resolveram reproduzir, seus diminutos alevinos são muito mais exigentes. Suas bocas são muito pequenas e podem ser comidos acidentalmente pelos pais. Alevinos de cascudo precisam ter um estoque sempre disponível de matéria vegetal que possam comer, como folhas amolecidas em água quente, algas e limo.

O ideal para quem quiser se aventurar nessa jornada é separar um aquário grande, com muitas tocas e abrigos, muito bem filtrado e com temperatura adequada e estável.

Coloque um grupo de observe, se ocorrer uma desova, retire os outros exemplares do aquário com o mínimo de agitação possível, pois relata-se que em situações de perigo, os pais devoram suas proles! Deixe todos muito bem alimentados com boa variedade de alimentos, para que possamos garantir que não lhes faltará nenhum nutriente.

Deise os pais com os filhotes até a eclosão e retire-os em seguida, deixe o aquário para os filhotes!

Alimente os filhotes com ração para alevinos e infusórios. em 02 meses estarão grandes o suficiente e fora do período mais crítico de seu desenvolvimento, podendo, inclusive, ser colocados em companhia de outras espécies pacíficas.

REFERÊNCIAS:
Atlas of Freshwater Aquarium Fishes – Dr. Herbert R. Axerold
The Manual of Tank Busters
www.planetcatfish.com

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