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| Autor:
Emerson
de Moraes Imagens: Paulo de Oliveira Alem do aspecto decorativo as plantas de aquário oferecem outros benefícios, como o de purificação do meio ambiente. Os detritos orgânicos de origem animal ou vegetal, depois de transformados em matéria inorgânica pela ação das bactérias, são assimilados pelas plantas na forma de sais minerais. Assim as plantas ajudam a evitar o acumulo de produtos finais da decomposição orgânica, que em excesso causam problemas. E através da fotossíntese, as plantas absorvem o gás carbônico (CO2), existente na atmosfera ou na água, e liberam oxigênio, tão essencial para a respiração dos seres vivos. Embora no meio limitado de um aquário, o equilíbrio biológico esteja muito dependente dos nossos cuidados de manutenção, não há duvidas de que os vegetais contribuem muito para o bem estar geral do aquário. Se procedermos de forma adequada com as trocas parciais aliadas a sifonagem dos detritos, as plantas conseguiram manter o ambiente do aquário em condições de salubridade em níveis aceitáveis. Num aquário bem plantado a produção de oxigênio dos vegetais é perfeitamente suficiente para a respiração dos peixes e das próprias plantas. Também devemos lembrar que os vegetais inferiores representam uma fonte de alimentação importante para certos peixes, como no caso de muitos ciclídeos, que se alimentam predominantemente das algas que crescem sobre as pedras. As algas também, tanto em aquários de água doce, quanto em de água salgada, servem de alimento para diversos invertebrados. E também, o emaranhado de certas algas, e as ramificações do sistema radicular de muitas plantas superiores (principalmente as flutuantes), contem grandes quantidades de micro-organismos de especial importância para a alimentação de jovens indivíduos. Os animais mais tímidos ou fracos podem encontrar no meio das plantas um esconderijo tranqüilo e os alevinos podem se refugiar na vegetação durante os primeiros dias de vida, a fim de se proteger da voracidade de peixes maiores. Algumas espécies de peixes, que preferem viver na penumbra, encontram um lugar mais confortável em baixo das folhas das plantas, e para as espécies territoriais, as plantas se constituem em marcos importantes, que delimitam territórios, e também muitas espécies de peixes, encontram um lugar agradável para desova nas plantas, depositando nas suas folhas os ovos. Assim chegamos a conclusão, de que são inúmeras as funções que os vegetais podem desempenhar no aquário. Por isso é muito importante que conhecemos as suas necessidades vitais, para que possamos proporcionar, no aquário as condições indispensáveis ao seu bom desenvolvimento. As bactérias e as algas unicelulares planctônicas desempenham um papel muito importante, tanto na natureza quanto nos nossos aquários. Todos os seres vivos são constituídos por células, no mínimo por uma célula, chamado então de individuo unicelular. A célula geralmente tem dimensões microscópicas, pode apresentar diversas formas e é sempre autônoma, do ponto de vista fisiológico. A célula é constituída por matéria viva, chamada de protoplasma, e é envolvida por uma espécie de esqueleto externo, chamado de membrana. A membrana celular dos vegetais, constituída essencialmente por celulose, é formada pelo protoplasma, mais não é um constituinte vivo da célula. O protoplasma divide-se em citoplasma e nos órgãos nele contidos, dos quais o mais importante é o núcleo. As algas unicelulares planctônicas são constituídas por uma única célula, que se encontra em suspensão na água. Estes organismos apresentam por vezes, formas bastante elegantes e filamentos ou flagelos que lhes permitem movimentar-se. Elas dispõem também de órgãos especiais que lhes permitem flutuar. Estes “vegetais”, embora sejam de dimensões bastante reduzidas, encontram-se espalhados pelo meio aquático em quantidades incontáveis, e desempenham um papel de grande importância, que é o de assimilação dos produtos resultantes do metabolismo dos animais e também como poderosos oxigenadores do meio aquático. Eles constituem também, o primeiro elo da cadeia alimentar dos animais aquáticos. Certas espécies destas algas unicelulares agrupam-se em colônias. E algumas destas colônias já são bem volumosas, a ponto de podermos observar a olho nu. Algumas algas verdes unicelulares bentônicas (que vivem agarradas ao substrato) atingem dimensões notáveis, e tem uma aparência exterior muito semelhante com as das plantas superiores, embora mantenham uma estrutura interna bem rudimentar. Temos o caso das Caulerpa, que são conservadas em aquários de água salgada. Elas são constituídas por uma única célula gigante plurinucleada envolvida pela membrana. Apresentam pseudocaules rastejantes com pseudo-raizes que fixam a alga ao substrato, e pseudofolhas eretas. A alga não possui um único septo transversal, e é apenas reforçada interiormente por filamentos de celulose e todo vegetal é formado por uma cavidade única preenchida pelo citoplasma dividido com vários núcleos. As Caulerpas, portanto, não tem verdadeiros órgãos comparáveis aos caules, folhas e raízes das plantas superiores porque lhes falta a estrutura anatômica correspondente. As Halimeda, que são algas verdes calcárias, que também são conservadas em aquários, apresentam o mesmo principio de constituição. Estas, porém, são formadas por várias células compridas, com a forma de filamentos, plurinucleares, dispostas lado a lado, formando uma estrutura multifilamentosa calcificada de aparência semelhante à de certas plantas superiores. Nas algas verdes unicelulares, a célula única desempenha todas as funções, como reprodução e nutrição. Em certas colônias de algas unicelulares planctônicas, já podemos observar a existência de células que se encarregam da locomoção da colônia, outras da nutrição e outras que servem para a reprodução. Conforme vamos subindo na escala vegetal, vai-se notando uma maior diferenciação das células, de modo a formarem grupos especializados em diferentes funções. Dos vegetais conservados em aquário, as Nitella são as que melhor podem ilustrar esta forma de transição dos vegetais mais simples para os mais elaborados. Estas algas verdes, pluricelulares já apresentam grupos de células com fins específicos como, por exemplo, a fixação do vegetal ao solo e a sua reprodução. Porém ainda não existem tecidos verdadeiros. Nas Briófitas (Musgos), já se observa uma diferença maior nas suas células, que formam grupos especializados que desempenham funções especificas e dão origem a vários tecidos que compõem o vegetal. Mesmo nas formas menos evoluídas, como é o caso da Riccia, cujo corpo tem forma de fita, sem diferença entre folhas, caule e raízes, já existe uma notável diferença nos tecidos. Nas formas mais evoluídas, já encontramos uma maior diferenciação das células, formando grupos adaptados ao suporte do vegetal, à condução dos alimentos, etc. A Fontinallis antipyretica já apresenta caule e folhas, embora sua organização seja muito simples, mais ainda não possuem raízes, nem vasos para a condução dos nutrientes. É nas Pteridófitas (Fetos) que já encontramos um corpo vegetativo típico das plantas superiores. Elas são plantas vasculares, com raízes autenticas e verdadeiros caules providos de folhas. No entanto elas são desprovidas de flores, frutos e sementes, já que se propagam por esporos. Os Fetos não tem raiz principal, e apresentam apenas as raízes secundárias. As Espermatófitas são as plantas superiores mais perfeitas. Nelas podemos encontrar raízes, caule, folhas, flor, fruta e sementes. Porém a forma e disposição destes órgãos são bastante variáveis. E esta é a base para a diferenciação das plantas por Famílias, Gêneros e Espécies. Então agora vamos falar sobre estes órgãos, começando pela raiz do problema. É através da raiz, que a planta absorve a água e os sais minerais necessários ao seu desenvolvimento. A raiz serve também para a fixação da planta no solo, ou pelo menos para lhe conferir uma certa estabilidade, como é o caso de muitas plantas aquáticas. Às vezes as raízes servem também para armazenar reservas alimentares. A maioria das plantas aquáticas tem raízes subterrâneas, mais também existem as que têm raízes flutuantes, como é o caso da Eichhomia, Lemna, Limnobium e outras. ![]() A: Raiz subterrânea da Cryptocoryne - B: Raiz flutuante do Jacinto Aquático Na extremidade inferior da raiz, temos uma dilatação com uma forma mais ou menos cônica, que é chamada de coifa. A coifa é constituída por um conjunto de células que vão se renovando de dentro para fora, a fim de compensar as perdas sofridas devido ao atrito com o solo. A coifa protege a raiz dos obstáculos que encontra na penetração do solo e em algumas plantas aquáticas a coifa é substituída por uma bolsa radicular. Acima da coifa existe uma porção epidérmica, lisa, por onde se processa o crescimento da raiz, e essa porção é chamada de zona de crescimento ou alongamento. Subindo mais pela raiz, encontramos a zona pilosa, que é formada por uma camada de pelos muito finos, os pelos absorventes ou radiculares. É nesta área que se processa a absorção da água e dos sais minerais necessários. Em algumas plantas aquáticas, esta absorção não esta limitada a esta zona da raiz, e processa-se em todos os níveis do organismo. Conforme a raiz vai se alongando, os pelos radiculares mais antigos vão perdendo o poder de absorção e vão morrendo. Essas perdas são constantemente compensadas pelo desenvolvimento de novos pelos permitindo assim, que a raiz explore vários níveis do substrato. Obs: Algumas plantas aquáticas e palustres não apresentam pelos radiculares. Acima da zona pilosa a raiz apresenta inúmeras ramificações laterais ou raízes secundarias, que asseguram a fixação das plantas no solo. O espaço por elas ocupado chama-se de zona de ramificação. Mais ou menos no nível do solo, a raiz interrompesse e da origem ao caule. A zona entre a raiz e o caule chama-se de colo da raiz. Quando existe uma raiz principal bem definida, o colo estará bem definido também, e no caso de haver muitas raízes laterais esta zona fica menos diferenciada. ![]() A: Coifa - a: (lado direito)Bolsa radicular - B: Zona de crescimento - C: Zona pilosa - D: Raízes secundárias - E: Colo da raiz O sistema radicular das plantas pode apresentar varias formas, no entanto podemos distinguir dois tipos principais. A forma da raiz depende do desenvolvimento entre as ramificações laterais da raiz e a raiz principal. Se a raiz principal é mais desenvolvida que as laterais, então a raiz é aprumada. Ou se a raiz principal for atrofiada, ou não se diferenciar muito das laterais, então a raiz é fasciculada. ![]() A: Raiz aprumada - B: Raiz fasciculada A raízes também são classificadas pela sua duração. Se a raiz dura menos de um ano, ela se chama anual, as que se mantem por dois anos, chama-se bienais, e as que duram mais que dois anos, chama-se de raízes perenes ou vivazes. As raízes podem apresentar algumas modificações, como por exemplo, na Ludwigia helminthorrhiza, onde suas raízes estão providas de órgãos arredondados formados por um tecido esponjoso cheio de ar, o que permite que a planta flutue. A Wolffia arrhiza e todas as espécies que constituem este gênero são formadas por um caule flutuante em forma de disco, e não apresentam raízes, ou qualquer outro órgão que as substitua. O caule tem duas funções principais. Estabelecer uma comunicação entre a raiz e as folhas e proporcionar-lhe uma disposição adequada para que possam desempenhar as funções a que estão destinadas. É através do caule que circulam os elementos minerais absorvidos do solo pelas raízes e os nutrientes necessários à vida das plantas resultantes da transformação, ao nível das folhas, dos referidos minerais. O caule das plantas aquáticas são adaptados ao ambiente em que vivem e que diferem um pouco da maioria das plantas terrestres. A epiderme (tecido externo), geralmente é constituída por um tecido pouco espesso, e mais tenra para que o caule seja de certa forma flexível aos movimentos das águas. A epiderme torna-se mais permeável a água, permitindo assim que certas plantas submersas façam uma absolvição de minerais através do próprio caule. Os tecidos condutores, que levam a água e os sais minerais da raiz para as folhas, também são mais simplificados e menos volumosos. Em muitas plantas aquáticas, existem espaços intercelulares ocos em todo o comprimento do caule, que servem para lhe conferir uma posição ereta. Na maioria das plantas o caule apresenta tecido verde auxiliando assim as folhas na fotossíntese. Na parte terminal do caule, e nas suas ramificações, encontramos pequenos corpos ovais, que são os pontos ou cones vegetativos. Estes pontos estão protegidos por folhas especialmente adaptadas a esta função. Estas formações são chamadas normalmente de gomos ou botões. Os gomos conforme as suas posições são chamados de terminais ou laterais. Os terminais estão localizados na extremidade do caule, e os laterais se situam nos pontos de inserção das folhas com o caule. É através do gomo terminal que a planta se desenvolve em altura e os gomos laterais dão origem às folhas e ramificações laterais do caule. O corte de um gomo inibe o crescimento da planta neste sentido. E aqui temos um ponto bastante interessante para o aquapaisagismo. De posse deste conhecimento, podemos obter um efeito decorativo mais agradável. Como todo aquarista que mantém plantas em seus aquários sabe, as plantas aquáticas tendem a crescer mais do que a altura do próprio aquário. Este crescimento em altura pode ser, de certa forma atrasado, mediante o corte do gomo terminal. Já por outro lado este procedimento ativa o crescimento da planta pelas laterais, o que dá a planta um aspecto tufado ou inchado, deixando a planta com uma melhor aparência. O caule separado da raiz pelo colo, está divido em nós, onde se situam as folhas, e entrenós, que são os espaços entre os nós. Em certas plantas os nós estão muito diferenciados, já em outras mal se consegue distinguir dos entrenós. ![]() A: Gomo terminal - B: Nó - C: Gomo lateral - D: Entrenó - E: Colo O caule se desenvolve geralmente em direção a luz, por isto que se diz que elas (as plantas) têm fototropismo positivo, o que significa que são estimuladas pela luz. Se a reação à estimulação da luz for absoluta, então a planta cresce na vertical, ereta, se for relativa pode crescer em outros sentidos. Então quando o caule se estende junto ao solo, às vezes emitindo raízes, o caule chama-se rastejante ou prostrado (é o caso das Nuphar). Os caules podem iniciar, às vezes prostrados, e depois começam a subir na vertical, neste caso o caule chama-se ascendente. Um caule muito ramificado desde a base, e que se desenvolve em varias direções, chama-se difuso. ![]() A: Erecto - B: Prostado ou rastejante - C: Ascendente Tendo por base o tamanho do caule em relação as suas folhas, as plantas são divididas em caulescentes e acaules. Nas plantas caulescentes o caule é comprido e bem diferenciado dos outros orgãos, como por exemplo, a Bacopa e a Ludwigia. As Vallisnérias, Echinodorus e outras, que apresentam caules muito reduzidos e com entrenós curtos, ficando com as folhas em roseta, da-se normalmente o nome de acaules. As vezes o caule encontra-se enterrado no substrato, e está recoberto por folhas escamiformes (em forma de escamas). Este tipo de caule chama-se de rizoma, e é apresentado em diversas plantas de aquário, como por exemplo, nas Cryptocoryne. Os caules prostrados, ou rastejantes, que enraízam nos nós e dão origem a novas plantas são chamados de estolhos. Grande parte das plantas de aquário, que são impossibilitadas de se reproduzir de forma sexuada (pela flor), se multiplicam por estolhos. ![]() Estolho de uma Echinodorus Se o caule não apresenta ramificações, então se chama simples. Nos caules ramosos podemos encontrar ramificações desenvolvendo-se a partir dos gomos laterais. Conforme a disposição destas ramificações sobre o caule, podemos dividir em alternas, opostas e verticiladas. ![]() A: Alterna - B: Oposta - C: Verticilada A ramificação é alterna, quando existe um só ramo em cada nó. Na ramificação oposta encontramos dois ramos inseridos em cada nó. E se houver mais de dois ramos inseridos em cada nó se da o nome de verticilada. Se o caule dura menos de um ano chama-se de anual, se vivem dois anos são bienais. Os caules perenes ou vivazes são os que duram mais de dois anos, e estes são geralmente os que perdem as folhas durante o inverno. A forma e disposição das folhas são extremamente variáveis de uma planta para outra, e isto é um fator de grande importância para a classificação das espécies. A folha é dividida essencialmente em três partes, das quais o limbo é a de maior importância. É principalmente através das folhas que se processa a fotossíntese, embora nas plantas aquáticas e em certas plantas terrestres, outros órgãos da planta também possuidores de clorofila auxiliam as folhas nesta função. O limbo é essencialmente formado por duas epidermes que limitam uma camada média chamada de mesófilo. O mesófilo, por sua vez, esta dividido em duas partes, a superior virada em direção a luz, é formada por um tecido de células prismáticas muito ricas em clorofila, e na face inferior, virada para o solo, por um tecido não clorofilino em que as células estão separadas por lacunas destinadas a circulação de ar. Então a folha, e principalmente o limbo é um órgão onde se processa a assimilação, transpiração e respiração da planta. As folhas ditas completas são formadas por bainha, pecíolo e limbo. Se faltar alguma destas partes a folha diz-se incompleta. ![]() A: Limbo - B: Pecíolo - C: Bainha - D: Estipulas A bainha é à parte que envolve o entrenó acima do nó onde a folha se encontra inserida. Algumas vezes a bainha envolve outras folhas jovens como acontece nas Cryptocoryne. Quando as folhas possuem bainha dizem-se invaginantes. As folhas pecioladas são as que não tem bainha, mas apresentam pecíolo comprido. O pecíolo é um pendúculo geralmente delgado, de comprimento variável, que liga o limbo ao caule. Quando o pecíolo é muito curto e não apresenta bainha a folha é subséssil. Quando não existem nem bainha e nem pecíolo a folha é séssil ou rente. No caso da Bacopa amplexicaulis, em que a folha não tem pecíolo e nem bainha, mas em que as aurículas da base da folha abraçam o caule, se da o nome de folhas amplexicaules. O limbo geralmente tem forma laminar, uma face superior virada para a luz, e uma inferior virada para o solo. Quase sempre a face superior apresenta uma cor mais escura que a inferior. O limbo pode apresentar diversas formas fundamentais conforme o seu contorno. Os principais tipos de folhas (determinado pelo formato do limbo) são:
A
base do limbo, ou a base da folha é à parte onde o limbo se insere no
pecíolo, na bainha ou diretamente no caule.
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